sábado, julho 09, 2011

PERSONAGENS DE UM SAUDOSO JARDIM

FOTO CEDIDA POR GEOVANNE PEREIRA


FOTO CEDIDA POR GEOVANNE PEREIRA

Seja você mesmo, seja você quem for

[Não poderia deixar de compartilhar esse texto com vocês, fiquei maravilhada. Hoje, se alguém me questionasse sobre o nome de alguém que eu admiro eu teria a resposta. @Ticostacruz, dia a dia eu "aumento as palmas".]  

" Quando a ignorância perde o limite.
Quando a cegueira faz o tudo parecer a mesma coisa.
Quando a estupidez conforma nossos pensamentos.
Quando a hipocrisia toma forma em nossas atitudes.
Quando a bestialidade nos guia pela escuridão.
Devemos prestar mais atenção em nossos reflexos na poça de lama.

Você já nasceu com dívidas! 
Quando começou a chorar logo depois que saiu do ventre de sua mãe, o taxímetro começou a girar.
Você paga para viver. 
Você tem muitos DEVERES! 

Você precisa aprender a ler, precisa aprender a escrever, precisa aprender a escutar os outros, você também precisa desenvolver alguma atividade útil para o meio em que convive, você precisa comer, beber e se divertir, você quer ter amigos, quer assistir televisão, você quer andar pelas ruas, praticar algum esporte, ter acesso a informática, você quer namorar, quer trepar e quer fazer amor. Você quer ser reconhecido, quer ganhar dinheiro, você quer construir uma família, você quer ter um lugar decente para morar, você quer acreditar no futuro, quer torcer pelo seu time de coração, quer beber e fumar cigarros, você quer se masturbar, você quer conhecer outras cidades, outros estados, outros países, você quer acreditar em Deus, em Buda, em qualquer divindade que te traga fé, você quer frequentar uma igreja, um templo ou um terreiro, você quer ter acesso a informação, quer ver uma peça de teatro, quer assistir um filme no cinema, você quer não fazer nada, nem levantar da cama, quer amanhecer junto com o sol, você quer falar o que pensa, pensar no que falam, expressar suas idéias, você quer amar alguém, quer ser amado, quer atenção, quer carinho, você quer fazer uma tatuagem, quer colocar um piercing, quer usar uma roupa brega ou mesmo algo de vanguarda, você quer assistir a um show, quer ouvir a música preferida da sua banda, quer conhecer seus ídolos, quer virar artista ou advogado, ou médica ou psicóloga, ou simplesmente não compactua com nada disso e quer se isolar numa montanha na índia, você que nadar no lago e quer passear de pedalinho na lagoa, você quer recitar um poema e quer que os outros escutem o que tem a dizer, quer ser diferente, quer ser igual, quer ser o que quiser ser, você tem uma identidade, pode ter um passaporte, você pode ter uma carteira de motorista, pode andar de ônibus ou de táxi ou de moto, pode pedalar ou gastar sola de sapato, pode frequentar uma academia, uma faculdade, uma reunião de reabilitação de drogas, pode fumar um baseado, pode cheirar uma carreira de cocaína, pode tomar uma bala ou se derreter com um ácido, você pode ajudar uma instituição de caridade e pode escolher andar armado, pode arrumar confusões pelas ruas, pode aprender uma arte marcial para bater em outras pessoas ou pode usar para se defender e até mesmo pode transformá-la em um ensinamento novo para uma criança carente numa favela de São Paulo ou do Ceará. Você pode gostar da Xuxa, dançar calípso, pode cantar funk e pode detestar qualquer tipo manifestação sonora, você pode ser e fazer o que quiser da sua vida, mas precisa lembrar que não está sozinho e que suas atitudes são de sua total responsabilidade. Você precisa de respeito e precisa saber respeitar. Você existe!

Respire fundo, sinta o oxigênio tomando conta de seus pulmões.
Toque a sua pele, escute o barulho ou o silêncio que estiver a sua volta, tente encontrar um sentido para tudo isso.
Pense, reflita, ouse, sonhe, faça!

Você é aquilo que você pensa que é!

Manifeste a sua opinião.
Fale o que quiser falar, mas fale sabendo que suas palavras vão bater no ouvido de alguém ou simplesmente serão ignoradas.
Você NÃO PODE DECIDIR a reação, mas pode imaginar as consequências, você é quem escolhe o que sai da sua boca!

Você pode aceitar ou não a sua condição, pode nem saber que esta condicionado a algo, talvez nem cogite a possibilidade de pular a cerca do paradigma que tanto reluz em seus olhos, pode ser que nem saiba o que é um paradigma ou pode estar querendo desistir de tentar fazer com que os outros entendam que a sua forma de viver não é necessariamente a que deve ser seguida, você pode falar coisas bonitas e ajudar outras pessoas com sua sabedoria e pode por um segundo perder a razão e odiar o mundo inteiro. Você pode escolher entre dar um beijo ou um tapa na cara, pode escolher entre um sorriso ou uma careta, pode oferecer uma rosa ou um tiro de fuzil. Você pode acreditar no que eu digo ou pode me achar um completo idiota. Você pode contar um segredo ou acusar alguém, pode julgar e saiba que esta sendo julgado o tempo todo. Você pode estabelecer limites mas precisa saber entender o limite dos outros, pode decidir entre ficar ou não com alguém, por amor ou por dinheiro, pode olhar e só enxergar os defeitos ou exaltar as qualidades. Você pode gritar ou engolir o seu choro, você pode diluir sua dor ou amargurar um passado qualquer. Você pode perdoar, pode ser generoso, pode ser arrogante, pode ser convencido, pode ser prepotente, pode ser bonito, feio, pode desconsiderar padrões, pode nem questionar tudo isso e pode também achar uma grande palhaçada.

Mas o que você está fazendo realmente pelas pessoas ?
O que está fazendo realmente por si mesmo ?
O que estará pensando daqui a alguns minutos ?

O que esconde dos outros ?
O que tem vergonha de ter feito ?
O que nunca contaria para alguém ?
O que pensa que os outros pensam de você ?
Quem você pensa que é ?

Escute meu amigo!
Antes de mais nada, todos somos seres humanos.
Todos nascemos neste mesmo planeta até que se prove o contrário.
Todos somos feitos de átomos e moléculas e dependemos de uma substância química chamada de o2 e uma outra convencionada a sigla h2o para começarmos todo o processo de escolhas que faremos ao minuto seguinte do nosso nascimento.

Alguns agem mais por instinto, outros por intuição, outros pela razão, outros pela fé, outros pela conformismo, outros pelo condicionamento, outros pela paranormalidade, outros de boa vontade, outros de má fé, outros com muitas dessas características misturadas e outros que nem sequer sabem da existência delas. Alguns mais humanos, outros menos, alguns cruéis outros naturalmente bondosos, alguns loucos, insanos, paranóicos, esquizofrênicos, outros totalmente formais, ponderados, alguns pacíficos, outros agressivos e outros equilibrados e outros completamente indiferentes. Somos a mistura de muitas informações em desenvolvimento, de muitas posturas contraditórias, de muitos pensamentos relativos, de muitos traumas e glórias. Todos somos personagens principais de nossas vidas e todos enxergamos somente aquilo que queremos ou podemos ver. Todos somos iguais, mas somos todos diferentes e sei que entendeu o que quis dizer com isso.

Então, deixe de lado a sua pretensão de achar que o mundo deve ser do jeito que você quer. O mundo é um emaranhado de milhares de outros emaranhados de emaranhados de "emaranhamentos" divinos, militares, civis. O Mundo é espiritual e material, metafísico, cósmico, utópico, caótico. O mundo é redondo, quadrado ou pode ser que nem exista. O mundo pode ser o que você quiser !

Tudo isso é real ?
Você tem provas de que o que está vendo de fato existe ?
Já pensou que pode ser uma grande brincadeira ?
Pode ser um sonho, pode ser uma ilusão, pode ser o inferno para alguns, o céu para outros, pode ser um purgatório, mas pode ser que não seja nada disso do que falei.
Pode ser que neste momento isso que estas lendo esteja sendo digitado em sua mente por alguém que está querendo controlar seus pensamentos, pode ser que você seja só um cérebro dentro de um laboratório e que a energia elétrica dos impulsos que você gera, esteja alimentando alguma civilização extraterrestre.
Pode ser qualquer coisa, porque nem você e nem ninguém tem prova de nada !

Sendo assim, faça o que quiser, acredite no que achar correto, viva a sua vida da maneira que for mais interessante e me deixe viver a minha do jeito que eu quiser !

Eu não sou perfeito, não sonho em ser e acho que seria um completo babaca se tivesse a perfeição como objetivo. Sou a mistura de muitos destes elementos deste mesmo texto, como se estivesse saindo de um jogo de palavras cruzadas. Tenho inteligência o suficiente para perceber que não sou nada além de um ser humano buscando a felicidade, ainda que esta possa ser tão efêmera quanto a velocidade de um orgasmo. O que eu quero, o que eu desejo, as minhas vontades, os meus medos, as minhas angústias, os meus sonhos, as minhas alegrias e as minhas frustrações podem ser semelhantes as de muitas outras pessoas, mas nunca serão iguais, porque a forma como vejo o mundo nunca estará no mesmo ângulo que a sua forma de encarar as coisas, nem sequer sabemos se quando olhamos para o céu enxergamos a mesma cor de azul, nem sequer temos certeza de que quando imaginamos uma bicicleta, imaginamos com as mesmas características. Minha personalidade, minha abordagem da vida, minha maneira de lidar com tudo que se passa ao meu redor é só uma opção, a que EU escolhi, existem outras bilhões espalhadas pelo planeta. Escolha a que quiser !

Sou solidário a você pela nossa condição de Humano e no que puder ajudar, estarei ajudando. De resto, faça você a sua parte e seja feliz assim.
(...)
Viva o direito de escolha !
(...)
Seja você mesmo, seja você quem for! " 
Tico Sta Cruz

Sem acordos, greves se mantêm

Os servidores da administração indireta devem voltar ao trabalho nos próximos dias. A expectativa é do presidente do Sindicato dos Servidores da Administração Indireta, Santino Arruda, depois de participar de uma ruenião com o secretário chefe de gabinete, Paulo de Tarso, e receber a proposta de que o governo vai fazer o pagamento dos planos de cargos das categorias em quatro parcelas a partir do mês de setembro deste ano. Em contrapartida, os policiais civis decidiram pela manutenção da greve porque consideraram um retrocesso o ofício encaminhado pelo governo do estado, segundo informações da assessoria de imprensa do Sinpol.

Dos oito pontos da pauta de reivindicação, o governo encaminhou solução apenas para o reajuste salarial que seria pago em quatro parcelas de setembro a dezembro deste ano. Além disso, o governo condiciona o reajuste salarial ao retorno imediato das atividades. O Sindicato dos Trabalhadroes em Educação (Sinte) aguarda para a próxima segunda-feira uma nova proposta do governo para ser apresentada em assembleia aos professores.

Escolas públicas terão verbas para aquisição de novos livros


"O Circuito Potiguar do Livro vai contar com o recurso do Programa Cheque Livro, no valor de R$800 mil". Foi o que anunciou  a secretária estadual de Educação, professora Betania Ramalho, durante lançamento do evento, na quinta-feira (07). Segundo a secretária, R$ 300 mil serão destinados à Mossoró, R$ 200 mil para a Feira de Caicó e R$ 300 mil para a Feira de Livros e Quadrinhos, que será realizada pela primeira vez em Natal.

De acordo com secretária, a verba vai possibilitar a compra de livros, que serão destinados ao acervo das bibliotecas das escolas da rede pública de ensino. "O nosso objetivo é de motivar os jovens para que eles tenham o hábito da leitura, uma vez que ela é decisiva para a formação cultura e social do cidadão", destaca.

A secretária ressalta ainda que a promoção de eventos como a Feira do Livro de Mossoró e a de Caicó proporcionam a aproximação das crianças da literatura escrita, e pontua que a realização da 1ª Feira de Livros e Quadrinhos em Natal (FLIQ) vai possibilitar um estímulo à leitura e a produção literária dos alunos das escolas públicas e privadas da capital. A feira vai ser realizada em outubro juntamente com a Semana de Ciência, Tecnologia e Cultura (Cientec) da UFRN.

Feira do Livro de Mossoró

Abrindo a programação do Circuito Potiguar do Livro, no período de 09 a 14 de agosto, Mossoró recebe a 7ª edição da Feira do Livro. A programação deste ano envolve ciclos de bate-papos, lançamentos e workshops, que trazem como convidados, autores nacionais e locais, como Frei Betto, Lobão, Diógenes da Cunha Lima, Agnelo Alves, dentre outros.

As atividades serão realizadas na Estação das Artes, e iniciam pela manhã, sendo encerradas à noite com atrações culturais. As escolas também terão espaço para manifestações culturais. Durante o evento também acontece o Festival de Folclore e o Circo da Luz. A programação do Circuito Potiguar do Livro segue ainda com a realização 3ª Feira do Livro do Seridó, a I Jornada Literária de Macau e a FLIQ (Feira de Livros e Quadrinhos de Natal).

Cientec abre inscrições

As inscrições para a XVII Semana de Ciência, Tecnologia e Cultura (Cientec), da Universidade Federal do Rio Grande do Norte poderão ser feitas a partir do dia 15 de julho. O evento, que acontecerá entre os dias 17 e 21 de outubro, terá como tema "Inovação para o desenvolvimento sustentável", que faz alusão ao ano Internacional da Química (AIQ), comemorado este ano de 2011.

De acordo com a coordenadora e organizadora da Cientec, Rita Luzia, esse tema é de extrema relevância no âmbito acadêmico, já que essa área do conhecimento oferece materiais para as mais diversas aplicações, a exemplo da engenharia, medicamentos, alimentos e energia: "a química é um tema transversal, é a responsável pelo regimento da vida", pontuou.

Nesta edição, a federal abre as portas para os alunos do ensino médio, que poderão apresentar trabalhos e análises. "O objetivo desta ação é adiantar a prática da pesquisa, já que é bastante provável que esses jovens sejam alunos dessa instituição", explica a coordenadora.  Para abrilhantar mais, o evento será realizado, neste ano,  conjuntamente a Feira de Livros e Quadrinhos de Natal - FLIQ.

terça-feira, julho 05, 2011

O povo do RN e a Rosa

O povo votou na Rosa,
Achando a Wilma ruim,
O povo quebrou a cara,
A Rosa é mais ruim.
A Rosa indiferente,
Pra o povo tá nem ai,
O povo tá revoltado,
É greve, é greve sim!

PROGRAMAÇÃO DA PARADA NACIONAL NA REGIONAL DE CAICÓ

A CNTE iniciará no dia 6 de julho – suas atividades do dia nacional de luta – uma jornada nacional pela implementação do Piso Salarial Profissional Nacional (PSPN) associado à carreira e pela aprovação do Plano Nacional de Educação (PNE). O lançamento da Jornada Nacional com mobilizações e paralisação dos estados e municípios dia 06/07/11, marca o calendário de atividades a serem desenvolvidas pela entidade no segundo semestre. Desse modo, a Regional do SINTE de Caicó, no uso de suas atribuições legais e estatutárias adere ao calendário de lutas da CNTE e convoca todos os Trabalhadores em Educação da circunscrição desta Regional para no dia 06/07/2011 - quarta-feira, pararem suas atividades e participarem de um Seminário sobre o PNE, Piso Salarial e a valorização da carreira do Magistério, que a acontecerá a partir das 14 horas, no Salão de Eventos do CDS, tendo como palestrante a Profª Justina Iva, ex-presidenta da UNDIME, ex-secretária de educação do Município do Natal, consultora Educacional da Jiva Consultoria Educacional.

CNE aprova Jornada Nacional

A CNTE iniciará no dia 6 de julho – como parte das atividades do dia nacional de luta da CUT – uma jornada nacional pela implementação do Piso Salarial Profissional Nacional (PSPN) associado à carreira e pela aprovação do Plano Nacional de Educação (PNE). A proposta foi aprovada em reunião do Conselho Nacional de Entidades (CNE) nesta sexta-feira em Brasília. O lançamento da Jornada Nacional com mobilizações e paralisação dos estados e municípios marca o calendário de atividades a serem desenvolvidas pela entidade no segundo semestre.
s sindicatos deverão organizar paralisações com manifestações e atos públicos no dia 6 de julho, reforçando a atual pauta de luta da Confederação: implementar o PSPN aplicado à carreira em todos os estados e municípios brasileiros e aprovar o PNE, contemplando os interesses da classe trabalhadora e da sociedade.
Essa foi a primeira reunião do Conselho Nacional de Entidades após o STF ter julgado a Lei do Piso constitucional. Os representantes das entidades apresentaram as dificuldades enfrentadas em seus estados para garantir o cumprimento da lei, uma vez que os gestores estão protelando o pagamento do valor do piso como vencimento inicial de carreira, sob a alegação de que não saiu o acórdão do STF.
Para a CNTE o valor do piso é R$ 1597,87
O presidente das CNTE, Roberto Leão, disse que é preciso continuar a luta política pela implementação do piso e, para tanto, será deflagrada uma campanha nacional no mês de agosto com esse objetivo. Leão reforçou que a CNTE orienta as suas entidades filiadas que lutam pela implantação do PSPN, que o processo de negociação com os governos inicie com o valor defendido pela Confederação, que é de R$ 1.597,87 como vencimento inicial na carreira.
A CNTE também reivindica o cumprimento integral da lei com 1/3 da jornada destinada para a hora atividade. O valor do Piso deve ser aplicado para as jornadas de trabalho que estão instituídas nos planos de carreira de estados e municípios.

Fonte:(CNTE, 17/06/11)

Alunos acusam professor da UFMA de racismo

A universidade solicitou abertura de um processo administrativo disciplinar para apurar denúncias

AE 

A Universidade Federal do Maranhão (UFMA) solicitou abertura de um processo administrativo disciplinar para apurar denúncias de racismo contra um professor da instituição. Alunos do curso de Engenharia Química apontam atos de discriminação do professor José Cloves Verde Saraiva contra o aluno africano Nuhu Ayuba, inscrito na disciplina Cálculo Vetorial. Saraiva já pediu desculpas e disse que a situação foi um mal-entendido. Uma cópia da denúncia foi entregue ao Ministério Público Federal.
"Informamos que o professor Cloves Saraiva vem sistematicamente agredindo nosso colega de turma Nuhu Ayuba, humilhando-o na frente de todos", afirmam os alunos na petição pública. Segundo os estudantes, o professor teria dito que Ayuba "deveria voltar à ¿?frica e clarear a sua cor". O relato acrescenta que o intercambista "não retruca" nenhuma das agressões e está "psicologicamente abalado".
Em retratação pública, Saraiva afirma que houve um mal-entendido e pediu desculpas ao estudante Nuhu Ayuba e aos colegas de classe. "Jamais tive intenção discriminatória de qualquer espécie", disse, argumentando que também é descendente de africanos. "Acredito no potencial de todos, e o que exijo como docente é que os estudantes tenham compromisso com o conteúdo da disciplina".
O reitor da UFMA, Natalino Salgado, classificou o ocorrido como "lamentável". "Não partilharemos de atitudes que se caracterizem em retrocesso e vergonha para a nossa sociedade. Os estrangeiros, assim como todos os outros estudantes, têm o nosso apreço e respeito", afirmou o reitor. "Vamos continuar honrando os acordos educacionais e culturais assumidos pela universidade e pelo governo brasileiro com outros países", acrescentou.
Segundo nota divulgada pela reitoria, a UFMA disponibiliza anualmente duas vagas de cada curso, no período diurno, para cidadãos de países em desenvolvimento com os quais o Brasil mantém acordos educacionais e culturais. Este programa foi desenvolvido pelos ministérios das Relações Exteriores e da Educação, em parceria com universidades públicas.

Aprovados na 2ª chamada do Sisu devem se matricular até quarta

Quem não foi convocado para nenhuma vaga no ensino superior pode se inscrever para lista de espera até quinta-feira

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Os candidatos convocados para vagas no ensino superior público na segunda chamada do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) têm esta terça-feira e quarta-feira para fazer a matrícula na instituição de ensino para a qual foram selecionados. A lista dos aprovados foi divulgada no site do programa, no sábado.


Para quem não foi aprovados ainda há chances. É preciso manifestar interesse em participar da lista de espera do Sisu, que será usada pelas instituições de ensino participantes do sistema para o preenchimento das vagas não ocupadas até quinta-feira, dia 7. O estudante pode manifestar interesse nessa lista apenas para o curso correspondente à primeira opção.
O Sisu seleciona candidatos a vagas em instituições de educação superior que tomam como base, no processo seletivo, apenas a nota obtida pelo estudante no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Neste segundo semestre, inscreveram-se 446.508 candidatos, que concorrem a 26.336 vagas, oferecidas por 48 instituições públicas de ensino superior.

A consulta ao resultado deve ser feita no site do Sisu, conforme o cronograma, ou pela Central de Atendimento do Ministério da Educação, no telefone 0800 616161. A documentação necessária consta do boletim de acompanhamento do estudante, na mesma página, e está disponível nas instituições de ensino participantes do sistema.

Encerramos mais uma enquete

Qual o nosso maior líder político da atualidade?

João Maia
  8%
 
Antônio Macaco
  8%
 
Galbê Maia
  8%
 
Luis Macaco
  8%
 
Elídio Queiroz
  41%
 
Rogério Couro Fino
  8%
 
Josidete Maia
  16%
 
Alberto Araújo
   0%
Outro
  16%

sexta-feira, julho 01, 2011

Em Cocal dos Alves nada é mais importante que competições educacionais


Em apenas três meses, a pequena cidade de Cocal dos Alves, de 5,6 mil habitantes no interior do Piauí, ganhou espaço nobre no noticiário brasileiro duas vezes. Em março, por ser a cidade onde nasceu e vive o vencedor do concurso Soletrando, programa de Luciano Huck, e na semana passada por receber quatro medalhas de ouro, três de prata e cinco de bronze nas Olimpíadas Brasileiras de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP). Em visita à cidade, o iG descobriu que o cocalalvense não é bom só nessas áreas. Há títulos em competições de outras disciplinas e todos os 16 alunos que se candidataram a vagas na Universidade Federal do Piauí no ano passado foram aprovados.
Nos últimos dois anos, foram três medalhas nas olimpíadas estaduais de química e uma na brasileira de língua portuguesa, além de trófeus de equipe. Em 2008, a cidade participou de um campeonato de história e geografia em comemoração aos 250 anos do Estado. Sagrou-se campeã. No ano seguinte, repetiram o campeonato e a cidade chegou à final sem errar nenhuma pergunta, assim como os rivais de Teresina. Para desempatar, foi feito um esquema em que a mesma pergunta era feita para as duas equipes e respondia quem batesse primeiro em um botão, mas aí os cocalalvenses ficaram apenas com o vice.


Porcos e cajueiros
Quanto mais se enumeram as vitórias, maior é o contraste com o tamanho da cidade a 300 quilômetros de Teresina. De perto, Cocal dos Alves parece menor ainda do que revela o tamanho de sua população. Muitas famílias moram em casas afastadas em meio a grandes plantações de cajueiros, a principal fonte de renda da cidade. A maior parte das ruas é de terra ou areia e frequentada por galinhas, cabras e porcos que vivem fora da cerca.

Na época de chuva, alunos como Clara Mariane Silva de Oliveira, de 13 anos – uma das que recebeu pessoalmente os cumprimentos da presidenta Dilma Rousseff pelo ouro em cerimônia no Rio de Janeiro – atravessam um rio com água até os joelhos para pegar o transporte escolar. “O carro atola ali, eu puxo a calça e passo.”

Foto: Cinthia Rodrigues 
Fachada da escola de ensino médio que teve 16 aprovados na Federal do Piauí
No pequeno centro de meia dúzia de ruas de paralelepípedo e casas sem recuo, nada remete às recentes glórias educacionais. A única faixa, esticada na Praça da Igreja, diz “Bem-vindos aos festejos de São João Batista”. Mesmo nas duas escolas campeãs, a Unidade Escolar Teotônio Ferreira Brandão, de ensino fundamental, e a Augustinho Brandão, de ensino médio, não há troféus expostos, por falta de estrutura – todas as salas são usadas para aulas, não há espaço de convivência, quadra ou laboratórios e biblioteca é um luxo que existe em apenas uma delas.

Sonho possível
Para os alunos e professores envolvidos nas competições, no entanto, nada é mais importante. Além das aulas regulares, há treinamentos aos sábados e, quase todos os dias, cada um estuda em sua casa, por prazer e pelo sonho, comprovadamente possível, de se destacar. Na zona rural, a energia elétrica vem sendo instalada nos últimos dois anos e a referência para crianças e adolescentes não é nenhum astro da música ou do futebol, mas os colegas medalhistas.

“Desde pequena, meu sonho é ganhar medalha”, diz Ana Carla de Brito Amaral, de 11 anos. Os pais e professores chegaram a temer uma frustração. “No ano passado, ela disputou pela primeira vez e a gente conversou que na 5ª série o máximo que alguém tinha ganhado era um bronze, então, uma menção honrosa estaria ótimo”, lembra a mãe, Edna de Brito.

Ana Carla conquistou a prata. Estabeleceu um novo recorde a ser perseguido pelos amigos, enquanto ela mesma já tem outros planos: “Quero o ouro na matemática e, quando tiver idade, vou disputar o Soletrando”, avisa, com um sorriso tímido, mas confiante.

Para o coordenador estadual das olimpíadas, João Xavier da Cruz Neto, professor de Matemática da Universidade Federal do Piauí, o que faz os alunos de Cocal dos Alves terem mais paixão pelos livros do que pela bola são os professores. “A diferença entre o futebol e a matemática é que no esporte qualquer um reconhece e estimula um talento. Já na matemática, a maioria não enxerga e muitos vêem alunos desafiadores como problema.”

Professores nascidos e criados na terra
O desempenho do professor de matemática Antonio Cardoso do Amaral se traduz em números. Desde que a OBMEP começou em 2005, ele teve alunos premiados em todas as edições: 2 pratas e 1 bronze no primeiro ano; 1 ouro, 3 pratas e 2 bronzes em 2006; 2 ouros, 1 prata e 5 bronzes em 2007; 6 bronzes em 2008; 1 ouro, 1 prata e 8 bronzes em 2009; e o resultado recorde do ano passado, cuja premiação ocorreu neste mês.

Por causa disso, foi convidado a falar ao Senado, fazer uma reunião com o ministro da Educação Fernando Haddad e dar informações à assessoria de Dilma Rousseff, que vai comentar o assunto no seu programa de rádio Café com a Presidenta. “Só dá certo porque os alunos querem aprender”, garante.
Para comprovar a tese, conta que se inscreveu em um concurso para uma vaga de mestrado em que havia 40 vagas e 800 inscritos. Ficou em 53º lugar. “Não estou entre os melhores. O que faço é me esforçar para apresentar a matemática como ela é. Nunca dou uma fórmula pronta, volto lá na história, resolvo do jeito difícil, mostro o caminho penoso e como alguém saiu dali para uma fórmula que tornou mais fácil resolver tal questão.”

Amaral nasceu em Cocal dos Alves, antes da emancipação do município, que ocorreu há apenas 15 anos. Fez o primário ali e o restante na vizinha que já foi sede, Cocal – sem "dos Alves" e sem medalhas. Nos primeiros anos em que deu aula, enfrentou resistência dos familiares dos alunos. “Ele era rígido, os pais vinham todos reclamar comigo”, conta João de Brito Cardoso, primeiro prefeito da cidade, analfabeto – como quase toda a população acima de 50 anos – e avô de uma medalhista. Para Amaral, a olimpíada foi o que o salvou.


Foto: Cinthia Rodrigues 
João Francisco em frente sua casa. Bolsa de R$ 100 por mês foi usada para comprar geladeira
Futuro promissor
Os resultados educacionais começam a mudar a vida dos cocalalvenses. A primeira transformação ocorre nas próprias escolas. Todos os oito computadores e o datashow utilizados foram prêmios pelos resultados nas competições. Desde o campeonato pelo aniversário do Estado, também há a promessa da construção de uma quadra, luxo que nenhuma das unidades possui até agora.

A própria escola de ensino médio vai mudar de prédio no próximo semestre. O governo federal construiu uma instituição modelo com prédios arejados e espaço de jardinagem que, por enquanto, destoa. “Lá vamos poder montar laboratórios, coisa que nunca se viu por aqui”, diz o coordenador pedagógico, Darkson Vieira Machado.

Nas casas dos premiados, também já se vê mudança. Algumas competições os premiaram com netbooks, e as medalhas nas olimpíadas brasileiras dão direito a bolsa de R$ 100 por mês durante um ano. No casebre sem reboco e com fogão à lenha de João Francisco Rocha, de 17 anos – medalha de bronze em 2008, o dinheiro se transformou na geladeira, que a família ainda não tinha.
O professor Amaral confia que vem muito mais por aí: “Se você voltar aqui em 10 anos, essa família vai ter uma condição de vida totalmente diferente, proporcionada pelo profissional bem formado e pago que este menino vai se tornar. Garanto.”

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quarta-feira, junho 29, 2011

Pulseira promete atrair o sexo oposto, especialistas contestam

Fabricante diz que produto contém feromônios e reage com suor, mas não existem provas científicas

 iG


Foto: Divulgação
A pulseira está disponível nas cores rosa (para mulheres) e preta (para os homens)
O mercado de produtos eróticos está sempre cheio de novidades curiosas. E um dos últimos lançamentos no Brasil é a pulseira com feromônios, que promete aumentar a atração sexual. Feita de silicone e parecida com a polêmica pulseira do equilíbrio "Power Balance", a "Pheromone Bracelet Erotic Stimulant Attractant" tem, segundo o fabricante Evolved Novelties, feromônios infundidos na sua fórmula que reagem com as glândulas que produzem suor, liberando uma substância química sem cheiro por 45 dias.
O acessório de atração sexual custa em torno de R$ 25 em sites especializados, mas não ganha confiança dos especialistas. Assim como perfumes de feromônios que já existem no mercado, não há nada que garanta a eficácia desse tipo de produto. “Não tem fundamento científico e não sabemos que substância a empresa colocou no produto. Dizer que tem feromônio é muito vago”, explica Bettina Malnic, professora do Departamento de Bioquímica da Universidade de São Paulo e autora do livro “Cheiro das coisas” (Editora Vieira & Lent).
Carolina Ambrogini, ginecologista e coordenadora do Projeto Afrodite da UNIFESP, concorda que os produtos com feromônios não são confiáveis. “Não temos comprovação que os humanos liberam feromônios porque não temos essa substância isolada no corpo. Muito menos uma substância artificial que colocam em uma pulseira”, diz. Ela explica que só há provas que os animais exalem a substância e tenham sensibilidade para senti-la.
Embora mulheres e homens não exalem cheiros porque estão excitados nem passem por um período de cio, o olfato humano não pode ser descartado como fator de atração. “Se o cheiro de uma pessoa não combina com o cheiro da outra, dificilmente elas vão se relacionar sexualmente. Causa uma repulsa, é uma questão química”, diz Ambrogini. Uma pesquisa recente chegou a mostrar que o período fértil deixa mulher mais atraente aumentando seu tom de voz e seu odor corporal.
Se não funcionam quimicamente, é possível que acessórios eróticos para aumentar o desejo ou a atração tenham efeito placebo, dando uma força na confiança de quem usa. Segundo Ambrogini os odores exalados pelos produtos podem ser apenas relacionados com erotismo: “cheiro é importante, é afetivo”, diz.

Conselhos para jovens escritores








Escritores iniciantes são como sementes jogadas em um jardim. Quais crescerão? Isso ninguém sabe. Quem será o autor iniciante hoje, mas reconhecido em 2030 ou 2045?
O caminho do escritor é, como dizia, Hemingway, um caminho solitário. O escritor é individualista, precisa de introspecção para encontrar sua própria voz, mas também precisa ser curioso, pesquisar, percorrer rotas externas.
Solicitei a escritores, editores e poetas, conselhos para os iniciantes. Claudio Daniel, poeta, jornalista e doutorando em Literatura Portuguesa pela USP, só disse o seguinte: "meu conselho é leitura, leitura, leitura, leitura e leitura".
Uma visão semelhante é a do escritor e também professor universitário Miguel Sanches Neto: "Que nunca deixem de ler muita literatura, pois não há outro caminho para a construção de um estilo, de uma voz, de uma visão do mundo, do que lendo a literatura que nos antecedeu. Escrever deve ser sempre um subproduto da leitura, uma forma de unir nosso nome a uma tradição, nem que seja negando-a".
Plínio Martins, escritor e diretor da Edusp, disse: "Leia. Leia muito. Quanto mais uma pessoa lê, melhor ela domina sua linguagem e torna-se capaz de transmitir melhor suas próprias ideias. É importante também ter cuidado ao analisar sua própria produção criticamente. Vale a pena pedir opinião de terceiros ou até mesmo um parecer de outros autores que já tenham publicado obras similares".
Paulo Tadeu, jornalista, dono da editora Matrix e escritor de livros infantis: "Meu conselho é escrever sobre o que se gosta, e ler muito. Esse amor pela palavra escrita vai gerar frutos uma hora ou outra".
Patrícia Vence Castilla, dona a editora Ruínas Circulares, de Buenos Aires deu algumas sugestões: "Leitura, muitíssima leitura contemporânea de autores consagrados de cada país. Capacitação. Aproximar-se das oficinas literárias que contam com bons coordenadores, de preferência escritores, porque penso que nenhum artista ― escultor, artista plástico, ator etc. ― jamais duvidaria em procurar um mestre para ser orientado no ofício escolhido. Então, para escrever bem, a primeira coisa a fazer, segundo o meu critério, seria capacitar-se".
Para o escritor e jornalista José Castello "Toda grande ficção precisa despertar, antes de tudo, um sentimento de estranheza. Aquela sensação que nos leva a dizer: 'Nunca li uma coisa assim!', ou 'De onde esse autor tirou isso?'. A literatura é o terreno do singular. Sempre que alguma coisa se repete, nos decepcionamos um pouco. Portanto, não dá para dizer que isso, ou aquilo, me impressiona mais. Eu me impressiono mais com o susto, o espanto de encontrar uma coisa que eu não pensava que pudesse existir".
Outros profissionais da área do livro assinalaram caminhos diferentes. Isso me fez lembrar das palavras de Borges, que falou que sempre havia lido, nunca existiu uma época em que ele não lesse. E não falava só de livros, logicamente, mas de realizar uma leitura do mundo. O bebê lê alegria ou a tristeza no rosto materno. Crianças aprendem a ler a linguagem dos olhares e dos gestos. Escutei dizer que o jovem fala o que vive e os velhos vivem do que falam, fabulam, renovam biografias, enfim, reestruturam o passado para manter uma autoimagem positiva.
Alguns entrevistados falaram um pouco desse caminho de descobertas. Perguntei ao jornalista e escritor, autor de Meu nome não é Johnny, Guilherme Fiúza, quais conselhos poderia dar para os novos escritores que desejam escrever biografias. Ele respondeu: "Acho que não tenho autoridade para tal. De qualquer forma, arriscaria dizer a eles que tão importante quanto a vida do biografado é o olhar do autor sobre ela".
Wanderlino Teixeira, escritor e poeta, membro da Academia Niteroiense de Letras, aconselhou: "estar atentos ao que os rodeia, não se fiem apenas na inspiração. Escrever é trabalho de carpintaria".
Roberto Araújo, do Conselho editorial da Editora Europa, deu sua visão: "Livros não surgem por mágica. O conteúdo, que é sempre o que efetivamente interessa, tem que ser trabalhado cuidadosamente na cabeça do autor. O conselho mais prático que posso dar é que um livro é sempre fruto de um trabalho disciplinado. Algumas horas por dia devem ser separadas exclusivamente para este trabalho. E repetidos todos os dias. A verdade é que a concentração sempre demora. Para ela chegar ao ponto é necessário reler os capítulos anteriores, refletir sobre a nova cena, elaborá-la na cabeça e então partir para a escrita. Não há regras rígidas, já que este é um trabalho artístico, mas eu tenho a forte convicção que sem disciplina não é possível escolher com sabedoria as milhares de palavras que compõem um livro. Também acho inútil o uso de álcool ou qualquer tipo de droga. Com a consciência alterada, as palavras parecem ter uma força que não será compreendido por mais ninguém a não ser o autor. Se a intenção for publicar, o trabalho fica todo perdido. O certo é que é preciso garra e determinação. Nada está acima em termos de realização intelectual do que escrever e publicar um livro. É um esforço que vale a pena".
Depois escutamos os conselhos de Reinaldo Polito, autor de livros de oratória que já venderam mais de 1.000.000 de exemplares: "Minha sugestão, portanto, aos jovens escritores é que estudem muito bem essa arte. Aprendam os pilares básicos de como escrever livros. Comecem publicando textos menores em blogs e sites. Abram suas obras para a crítica de amigos, conhecidos e até desconhecidos. Aprendam que é melhor receber críticas antes de publicar definitivamente seus livros. Saibam que depois de publicados os livros não lhe pertencerão mais. Serão de propriedade dos leitores. Conheço pessoas que escreveram sem se preocupar com pesquisas, sem se aprofundar nos temas que abordaram, sem analisar as características de suas personagens. Foram tão criticadas que se sentiram desestimuladas a continuar. Escrever é uma arte que se aprende fazendo. Quanto mais a pessoa escrever mais competente se tornará. Tem de saber também que depois que o livro estiver pronto não será fácil publicar, que depois de publicado também não será fácil vender. Entretanto, o prazer de escrever irá compensar todos esses desafios. Vale a pena".
Quando a jornalista Luana Gabriela me pediu "dicas" para os novos escritores eu fiquei pensando que é muito mais fácil perguntar do que responder, mas falei:
Escrever um livro é uma tarefa empolgante. Se for de ficção, o autor deve desenvolver o enredo passo a passo, alguns mestres do oriente falam que qualquer arte deve ser iniciada com cuidado, com leveza, como quem caminha pisando sobre papel de arroz. Acontece que o caminho do escritor é longo ― e não é tão charmoso como as pessoas pensam. Escrever é um trabalho solitário. Então, a primeira dica é ter disciplina, escrever diariamente, ainda que seja uma página. E no mínimo uma vez na semana reler as páginas escritas procurando aprimorar o texto. Outra "dica" é estar sempre atento aos detalhes, caminhar pela rua, ouvir as pessoas. Observar gestos, atitudes, comportamentos e tomar notas daquilo que foi mais interessante. E depois, ao escrever um conto, um romance, analisar se algumas dessas notas podem servir para completar a construção de nossos personagens ou do cenário. Escrever é também aprimorar a leitura do mundo.

Isabel Furini mantém o blog Literatura de Isabel Furini.

sexta-feira, junho 24, 2011

Médico de 'ER' volta às séries em produção alienígena de Spielberg

Noah Wyle, o dr. Carter, estrela a ficção científica 'Falling skies'.

Alienígenas invadem a Terra, destroem diversas cidades e dizimam a população. Porém, um bravo grupo de pessoas sobrevive. Juntas, elas terão a tarefa de lutar contra os ETs e expulsá-los do planeta. Essa sinopse, tão clichê em filmes de destruição de Hollywood, ainda tem algum apelo popular? Seis milhões de americanos acham que sim – principalmente se a grife Steven Spielberg estiver envolvida.
Estreia nesta sexta-feira (24) no Brasil, às 22h, no TNT, uma das principais séries desta temporada: “Falling skies”, cuja première de duas horas nos EUA registrou no último domingo  5,9 milhões de expectadores, recorde do ano para a TV paga americana.
Noah Wyle lidera milícia de resistência em 'Falling skies' (Foto: Divulgação) 
Noah Wyle, como o professor Tom Malson, lidera milícia de resistência em 'Falling skies' (Foto: Divulgação)
O nome de Spielberg na produção executiva sem dúvida ajuda no sucesso - ainda que sua assinatura venha se tornando cada vez mais comum na TV americana, vide “The pacific”, “United states of Tara” e, futuramente, “Terra Nova”. Mas outro grande atrativo da série é a presença de Noah Wyle, ator que passou 11 temporadas interpretando um dos personagens mais queridos da televisão americana, o dr. Carter de “ER” (“Plantão médico” por aqui).
Por fim, entra a história, que é o mais importante de “Falling skies”. Apesar do mote não ser lá muito original, a série serve para ocupar o buraco de um gênero que não tem dado muito certo. “V” e “The event”, cujas premissas eram semelhantes, foram canceladas neste ano. Quem mais se aproxima do tema “fim de mundo” são os zumbis de “The walking dead”.
Moon Bloodgood vive na série a médica Anne (Foto: Divulgação) 
Moon Bloodgood vive na série a médica Anne
(Foto: Divulgação)
Wyle é o protagonista do programa no papel do professor de história americana Tom Malson. Ele perdeu a esposa e teve um de seus filhos capturado pelos alienígenas há seis meses. Nsse tempo, ele e outros humanos se esconderam em um acampamento, na companhia da médica-e-futura-namorada Anne (Moon Bloodgood).
O seriado foca justamente nas relações humanas desse mundo pós-apocalíptico, o que claramente remete a “The walking dead”. A diferença é que, em "Falling skies", não se sabe exatamente qual o propósito dos aliens (na concorrência, os inimigos querem apenas comer nossa carne).
Só faltam dinossauros
Um trunfo da atração são os efeitos especiais e a produção milionária. Por ter um grande conhecimento teórico sobre estratégia militar, Malson logo fica à frente de uma força-tarefa criada para defender os civis, ou seja, é garantido que em todos os dez episódios da 1ª temporada haverá tiroteios, explosões e ETs correndo de um lado para o outro dentro de um cenário pós-apocalíptico.
Para quem gosta do estilo do cineasta é um prato cheio. Só ficaram de fora os dinossauros de "Jurassic Park", mas esses estarão presentes em “Terra Nova”, que estreia nos EUA em setembro.

Enquete concluída

Em quais destes profissionais você mais tem confiança (leve em consideração apenas o cenário de Jardim de Piranhas)?

Político
 (5%)
 
Padre
  (11%)
 
Professor
  (61%)
 
Médico
   (27%)
 
Juiz
  (5%)
 
Promotor
  (38%)
 
Radialista
  (16%)
 
Policial
  (0%)
Advogado
  (5%)
 
Sindicalista
  (22%)
 
Empresário
  (5%)
 


 

Veja a linha do tempo do forró

Ritmo criado nos anos 1940 se transformou ao longo da história.
Especialistas dividem estilo em três grandes fases.

Do G1
arte da linha do tempo e genealogia do forró - são joão (Foto: Editoria de Arte/G1)

segunda-feira, junho 20, 2011

Ensino público e privado: razões do abismo

Pesquisa do Inep constata diferença exorbitante nos índices de reprovação nas duas redes no RN

Os indicadores mais recentes do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), órgão ligado ao Ministério da Educação (MEC), revelam uma triste constatação: piora o índice de qualidade na rede pública estadual do Rio Grande do Norte. As altas taxas de evasão e a reprovação escolar, em todos os níveis, mostram que existe uma diferença abissal entre o que é ensinado na rede particular e o que é ministrado nas escolas públicas. Em 2010, de acordo com o levantamento que ficou pronto no mês passado, 18,3% dos alunos matriculados no Ensino Fundamental da rede estadual norte-rio-grandense foram reprovados, enquanto a reprovação da rede privada foi de apenas 4,5%. O alento é o nível médio, onde não há diferença tão grande: a reprovação é de 6,4% nas escolas estaduais, e de 6,2% nas particulares.


Repetência atingiu 18,3% dos alunos no nível fundamental do sistema público do RN Foto: Fábio Cortez/DN/D.A Press
Entre os estados do Nordeste, o Rio Grande do Norte aparece em 3º lugar no ranking de reprovação no que diz respeito aos colégios da rede estadual. O menoríndice é o do Maranhão (10%), e o maior de Sergipe (23,5%), que também amarga o pior percentual do país. Para secretária estadual de educação, Betânia Ramalho, parte da explicação sobre esse índice de reprovação reside na passagem do 5º para o 6º ano do Ensino Fundamental. "Com a mudança no sistema pedagógico, há uma dificuldade de acompanhamento, readaptação ao método de ensino. Sai a figura do professor polivalente, entra o professor por área de conhecimento. E, com a fragilidade na base do sistema, torna-se frágil sua continuidade", analisou.

A escola pública, segundo a secretária, ainda não tem atratividade para o aluno. Some-se a isso as condições sócio-econômicas desfavoráveis, a trajetória familiar do alunado e a falta de incentivo governamental. "A escola pública é um reflexo da sociedade brasileira. A rede privada, além de ter uma escola mais bem estruturada, tem a família que acompanha e fatores importantes para elevar os índices de aprovação, como aulas suplementares, de reforço, entre outros mecanismos".

Eleika Bezerra, educadora do Instituto de Desenvolvimento da Educação (IDE), complementa a informação da secretária, acrescentando que, enquanto o cliente da escola pública não alterar seu nível de exigência, sua qualidade vai ser questionada. "Me convenci de que a apatia, a indiferença dos que frequentam a escola pública é muito grave. A educação pública não é prioridade. Hoje em dia o governo incentiva o crescimento do número de matrículas, mas não adianta o aluno estar na escola se não se sabe o que acontece dentro dela", critica.

Faltam recursos e continuidade administrativa

Não há dúvidas que os recursos da educação pública são insuficientes. O custo-aluno, nas séries onde mais se verificou altos índices de reprovação no estado (6º ao 9º ano) é de R$ 1.899,61. "Com o alto índice de reprovação e repetência, o custo-aluno acaba se configurando custo-desperdício. O investimento somos nós que pagamos", conclui a educadora do Instituto de Desenvolvimento da Educação (IDE), Eleika Bezerra. A secretária estadual de educação, Betânia Ramalho, credita o insucesso da maioria das escolas públicas à falta de foco. "Em 8 anos, foram dez secretários e, nesta situação, não há como haver foco num projeto educativo. Por isso iniciamos, ao assumirmos a Secretaria Estadual de Educação e Cultura (SEEC), uma política centrada no ensino e aprendizagem. Fazer com que haja ensino para que haja aprendizagem".

É preciso mais. "Uma escola tem que ser atrativa, deveria ser o prédio melhor aparelhado, que sirva de referência não apenas ao aluno, mas a toda sociedade. Deveria ser um templo", avalia Betânia,que declarou ter iniciado um projeto de educação para fazer com que os recursos do MEC e do Estado incidam na formação continuada dos professores e na melhoria das escolas públicas do Rio Grande do Norte. "A educação inclui valores, inclui formação para a cidadania, tanto nos direitos quanto nos deveres do cidadão. Sem esse equilíbrio, e um estado forte socialmente, essa equação não fecha", afirma ela.

Quando os resultados são bons

A equipe de O Poti/Diário de Natal fez o teste e visitou duas escolas de Natal que apresentam a diferença em termos de reprovação no Ensino Fundamental II, do 6º ao 9º ano. A equipe de reportagem esteve na Escola Estadual Raimundo Soares, em Cidade da Esperança, que tem 870 alunos matriculados, e índice de reprovação de 29,8%, e no Centro Educacional Integrado - CEI Romualdo Galvão, com 1.982 estudantes, onde o índice de reprovação é de apenas 2,4%.

O CEI tem 120 funcionários, 164 professores e 35 estagiários. A escola investe num programa de complementação ao ensino para dar apoio pedagógico aos estudantes que apresentam dificuldades de aprendizagem. "Esta é uma das estratégias para sanar o problema da repetência. Chamamos de repetição de processos. Cada aluno tem um ritmo diferente de aprendizagem. Nós respeitamos esse ritmo", relata Cristine Rosado, uma das duas diretoras-adjuntas da escola privada cuja principal função é lidar com a relação família e escola.

Um dos pontos fortes da escola é a infraestrutura: salas de aula, corredores, jardins e refeitórios bem cuidados, quadra de esportes, piscina, parque infantil, laboratórios de informática, física, química e biologia, salas de leitura e biblioteca. "Normalmente o aluno faz todo o ensino básico aqui na escola, que vai do 1º ao 9º ano do Ensino Fundamental, e também os três anos do Ensino Médio', relatou a orientadora pedagógica Celina Bezerra. "Aqui também cumprimos à risca os 200 dias letivos, e os professores que não correspondem às expectativas são afastados".

No quesito da formação dos professores, a rede privada também sai na frente da escola pública, onde a contratação se dá ou através de concursos públicos, ou contratos temporários ou mesmo seleção de estagiários. Segundo Cristine Rosado, no caso da escola onde atua os professores recebem todas as condições que precisam para desempenhar um bom trabalho. "Eles só são admitidos se fizerem prova teórico-prática, didática, entrevista com psicólogos, com o setor de Recursos Humanos e com a coordenação pedagógica. Após contratado, ele conta com horário extra para elaborar suas aulas, e conta com profissional destinado apenas a pensar a metodologia das aulas e o conteúdo das disciplinas".

O professor de matemática Rubem Uchôa ensina tanto na rede pública quanto em escola particular. "Enquanto na escola pública muitos de meus alunos de Ensino Médio não dominam conteúdos de fração e porcentagem, aqui na particular os que ensino no 6º ano já têm noção desse conteúdo", relata. Glória Santos, professora de Ciências, também percebe diferenças no conteúdo dado aos seus alunos nas redes pública e particular. "Aqui no 9º ano, estou ensinando síntese protéica e ética na clonagem. Na rede pública, quando os alunos vêem esse assunto, estudam no 4º bimestre do 1º ano do Ensino Médio".

A relação professor-aluno na rede particular é outro diferencial. Micheline Medeiros, professora de português, gosta de ensinar tanto na rede pública quanto na particular. "Aqui na escola privada, o retorno do que você ensina vêm mais rápido. Mas é gratificante ver que, na rede pública, você consegue plantar o alicerce dos que querem aprender. Não dá para competir, mas quando os resultados vêem, são gratificantes".

A carência como regra do jogo

Os funcionários da Escola Estadual Raimundo Soares, em Cidade da Esperança, fazem o que é possível para garantir um mínimo de ensino digno aos 870 alunos matriculados nos três turnos. O índice de reprovação, de 29,8%, mostra que essa é uma tarefa hercúlea. Há grande evasão dos alunos do turno noturno, especialmente quando eles mudam de emprego ou de bairro. A escola também sofre com a violência e a falta de infraestrutura adequada.

O lixo e o mato tomam conta da área onde fica a quadra de esportes, as salas são decoradas com motivos juninos apenas com material reciclável, o laboratório de ciências têm equipamentos ultrapassados e o laboratório de informática, que tem 10 computadores, conta com apenas dois funcionando. "Apesar disso, os educadores são comprometidos. Fazemos muitos sacrifícios, mas todos querem uma educação de qualidade", declarou a diretora da escola, Maria Divanilza de Medeiros.

Na última reunião de pais da escola, foram convidados 140 representantes familiares. Apenas 40 compareceram. "Infelizmente as famílias são ausentes, não acompanham a vida escolar dos filhos. As tarefas que encaminhamos para casa normalmente voltam sem ser realizadas", relata a coordenadora pedagógica, Regina Célia do Nascimento.

A Raimundo Soares sobrevive com o pouco recurso que vem dos governos Estadual e Federal. Trimestralmente é destinada uma verba de R$ 2.287,50, do Programa de Autogerenciamento de Unidade Executora (Pague), destinado a despesas como gás, limpeza e reparos necessários, além do dinheiro que advém dos projetos encaminhados pela escola ao Plano de Desenvolvimento da Educação (PDDE). "No último que aprovamos, a escola recebeu R$ 34 mil, destinado a custeio (material didático) e capital (maquinário, computadores, armários)", disse Nazaré Negreiros, coordenadora financeira.

Do dinheiro que veio do PDDE, a escola conseguiu promover um curso de capacitação para os professores. Pouco se pode fazer, no entanto, no que se refere a itens essenciais para elevar os percentuais de aprovação. Contratar professores, por exemplo, é uma atribuição da Secretaria de Educação, e não da escola. "Temos déficit de professores. Os alunos só não estão sem aulas porque vieram alguns temporários e estagiários, e porque a maioria não aderiu à greve", destacou a diretora Divanilza.

Cledna Dias, professora de Ciências, disse que outra triste realidade da rede pública é o desvio idade-série. "Tenho uma aluna, no 5º ano, que tem 14 anos de idade e que engravidou. Ela deixou de vir à escola porque ficou com vergonha. Entramos em consenso e percebemos que não poderíamos entrar em greve por medo da fuga dos alunos. Temos muito poucos e não podemos perdê-los". Rafael Anderson, professor voluntário de xadrez na Escola Raimundo Soares, também não perde o ritmo de ensino, apesar da falta de estrutura para suas aulas, dadas no refeitório. "Alguns estão bem adiantados. Não a nível de competição, mas aos poucos estamos tentando chegar lá".

Entre o público e o privado

Gestão

Escolas estaduais

Quase sem planejamento, sem clareza de metas e resultados. Foco massificado

Escolas particulares

Planejamento e monitoramento de resultados. Foco na escola

Custo-aluno

Escolas estaduais

Não há clareza. Não há orçamento nem política de investimento por escola

Escolas particulares

Em geral é feita, com medidas cabíveis para aqueles que não respondem positivamente

Avaliação de desempenho

Escolas estaduais

Pouca avaliação de desempenho dos profissionais

Escolas particulares

Definido valor da anuidade escolar e o orçamento, tendo em vista os investimentos necessários

Contratações

Escolas estaduais

Os concursos públicos são massificados. As contratações são aleatórias, sem possibilidade de avaliar a prática do profissional

Escolas particulares

Profissionais selecionados de acordo com o perfil que a escola necessita. Seleção envolve prática

Família

Escolas estaduais

Em geral há apatia, acomodação das famílias dos alunos

Escolas particulares

Famílias cobram resultados, qualidade dos serviços

Infraestrutura

Escolas estaduais

Falta de professores e infraestrutura adequada. Tecnologia obsoleta

Escolas particulares

Pouco risco de faltar professores. Infraestrutura é objeto de atenções permanentes, inclusive modernização tecnológica

Dias letivos

Escolas estaduais

200 dias letivos, quase sempre com um percentual comprometido

Escolas particulares

Não há greves. Os 200 dias letivos são cumpridos

Fonte: Diário de Natal

Professora corajosa envia resposta à Veja

RESPOSTA À REVISTA VEJA
 
 
Sou professora do Estado do Paraná e fiquei indignada com a reportagem da jornalista Roberta de Abreu Lima “Aula Cronometrada”. É com grande pesar que vejo quão distante estão seus argumentos sobre as causas do mau desempenho escolar com as VERDADEIRAS  razões que  geram este panorama desalentador.

Não há necessidade de cronômetros, nem de especialistas  para diagnosticar as falhas da educação. Há necessidade de todos os que pensam que: “os professores é que são incapazes de atrair a atenção de alunos repletos de estímulos e inseridos na era digital” entrem numa sala de aula e observem a realidade brasileira. Que alunos são esses “repletos de estímulos” que muitas vezes não têm o que comer em suas casas quanto mais inseridos na era digital? Em que  pais de famílias oriundas da pobreza  trabalham tanto que não têm como acompanhar os filhos  em suas atividades escolares, e pior em orientá-los para a vida? Isso sem falar nas famílias impregnadas pelas drogas e destruídas pela ignorância e violência, causas essas que infelizmente são trazidas para dentro da maioria das escolas brasileiras. Está na hora dos professores se rebelarem contra as acusações que lhes são impostas. Problemas da sociedade deverão ser resolvidos pela sociedade e não somente pela escola. 
 
Não gosto de comparar épocas, mas quando penso na minha infância, onde pai e mãe, tios e avós estavam presentes e onde era inadmissível faltar com o respeito aos mais velhos, quanto mais aos professores e não cumprir as obrigações fossem escolares ou simplesmente caseiras, faço comparações com os alunos de hoje “repletos de estímulos”. Estímulos de quê?  De passar o dia na rua, não fazer as tarefas, ficar em frente ao computador, alguns até altas horas da noite, (quando o têm), brincando no Orkut, ou o que é ainda pior envolvidos nas drogas. Sem disciplina seguem perdidos na vida. Realmente, nada está bom. Porque o que essas crianças e jovens procuram é amor, atenção, orientação e disciplina. 
 
Rememorando, o que tínhamos nós, os mais velhos,  há uns anos atrás de estímulos? Simplesmente: responsabilidade, esperança, alegria. Esperança que se estudássemos teríamos uma profissão, seríamos realizados na vida. Hoje os jovens constatam que se venderem drogas vão ganhar mais. Para quê o estudo? Por que numa época com tantos estímulos não vemos olhos brilhantes nos jovens? Quem, dos mais velhos, não lembra a emoção de somente brincar com os amigos,  de ir aos piqueniques, subir em árvores? E, nas aulas, havia respeito, amor pela pátria.. Cantávamos o hino nacional diariamente, tínhamos aulas “chatas” só na lousa e sabíamos ler, escrever e fazer contas com fluência. Se não soubéssemos não iríamos para a 5ª. Série. Precisávamos passar pelo terrível, mas eficiente, exame de admissão. E tínhamos motivação para isso.
Hoje, professores “incapazes” dão aulas na lousa, levam filmes, trabalham com tecnologia, trazem livros de literatura juvenil para leitura em sala-de-aula (o que às vezes resulta em uma revolução),  levam alunos à biblioteca e a outros locais educativos (benza, Deus, só os mais corajosos!) e, algumas escolas públicas onde a renda dos pais comporta, até a passeios interessantes, planejados minuciosamente, como ir ao Beto Carrero. E, mesmo, assim, a indisciplina está presente, nada está bom. Além disso, esses mesmos professores “incapazes”,  elaboram atividades escolares como provas, planejamentos, correções nos fins-de-semana, tudo sem remuneração;
 
Todos os profissionais têm direito a um intervalo que não é cronometrado quando estão cansados.. Professores têm 10 minutos de intervalo, quando têm de escolher entre ir ao banheiro ou tomar às pressas o cafezinho. Todos os profissionais têm direito ao vale alimentação, professor tem que se sujeitar a um lanchinho, pago do próprio bolso, mesmo que trabalhe 40 h.semanais. E a saúde? É a única profissão que conheço que embora apresente atestado médico tem que repor as aulas. Plano de saúde? Não temos, ou seja não existe.    Há de se pensar, então, que  são bem remunerados... Mera ilusão! Por isso, cada vez vemos menos profissionais nessa área, só permanecem os que realmente gostam de ensinar, os que estão aposentando-se e estão perplexos com as mudanças havidas no ensino nos últimos tempos e os que aguardam uma chance de “cair fora”.Todos devem ter vocação para Madre Teresa de Calcutá, porque por mais que  esforcem-se em ministrar boas aulas, ainda ouvem alunos chamá-los de “vaca”, “gordos “, “velhos” entre outras coisas. Como isso é motivante e temos ainda que ter forças para motivar. Mas, ainda não é tão grave. Temos notícias, dia-a-dia,  até de agressões a professores por alunos. Futuramente, esses mesmos alunos, talvez agridam seus pais e familiares. 
 
Lembro de um artigo lido, na revista Veja, de Cláudio de Moura Castro, que dizia que um país sucumbe quando o grau de incivilidade de seus cidadãos ultrapassa um certo limite. E acho que esse grau já ultrapassou. Chega de passar alunos que não merecem. Assim, nunca vão saber porque devem estudar e comportar-se na sala de aula; se passam sem estudar mesmo, diante de tantas chances, e com indisciplina... E isso é um crime! Vão passando série após série, e não sabem escrever nem fazer contas simples. Depois a sociedade os exclui, porque não passa a mão na cabeça. Ela é cruel e eles já são adultos.
 
Por que os alunos do Japão estudam? Por que há cronômetros? Os professores são mais capacitados? Talvez, mas o mais importante É QUE HÁ DISCIPLINA. E é isso que precisamos e não de cronômetros.  Lembrando: o professor estadual só percorre sua íngreme carreira mediante cursos, capacitações que são realizadas, preferencialmente aos sábados. Portanto, a grande maioria dos professores está constantemente estudando e aprimorando-se.. 
 
Em vez de cronômetros, precisamos de carteiras escolares, livros, materiais, quadras-esportivas cobertas (um luxo para a grande maioria de nossas escolas), e de lousas, sim, em melhores condições e em maior quantidade. Existem muitos colégios nesse Brasil afora que nem cadeiras possuem para os alunos sentarem. E é essa a nossa realidade!  E, precisamos, também, urgentemente de educação para que tudo que for fornecido ao aluno não seja destruído por ele mesmo
 
Em plena era digital, os professores ainda são obrigados a preencher os tais livros de chamada, à mão: sem erros, nem borrões  (ô, coisa arcaica!), e ainda assim se ouve falar em cronômetros. Francamente!!!
 
Passou da hora de todos abrirem os olhos  e fazerem algo para evitar uma calamidade no país, futuramente. Os professores não são culpados de uma sociedade incivilizada e de banditismo, e finalmente, se os professores  até agora  não responderam a todas as acusações de serem despreparados e  “incapazes” de prender a atenção do aluno com aulas motivadoras é porque não tiveram TEMPO. Responder a essa reportagem custou-me metade do meu domingo, e duas turmas sem as provas corrigidas.