sexta-feira, outubro 21, 2011

Guia Enem 2011: conheça as regras e prepare-se para as provas

Saiba o que fazer nos dias que antecedem o Exame Nacional do Ensino Médio e o que não pode esquecer nos dias de provas

iG
DATAS DE PROVAS
22 e 23/10
Dicas para revisar conteúdos e testar conhecimentos
- Conheça todas as competências cobradas no Exame. A Matriz de Referência apresenta os conteúdos que aparecem nas provas
- Faça provas de anos anteriores para conhecer o exame e os seus próprios conhecimentos
- Na última hora, escolha apenas poucos temas que não domina para revisar. Não dá tempo de rever todas as competências do Enem
- Assista aos vídeos com dicas do colunista do iG Mateus Prado e leia as colunas com questões comentadas
- Acompanhe notícias por portais, rádio, TV e jornais. Estar bem informado ajuda na compreensão da prova. Conheça temas atuais que podem cair na prova e revise

Na mochila
O que precisa levar para a prova e o que é proibido
Foto: GUILHERME LARA CAMPOS/GUILHERME LARA CAMPOS Ampliar
Lpis, celular e relógio não podem ser levados para o exame
O que levar
- Caneta esferográfica de tinta preta, fabricada em material transparente
- Cartão de Confirmação da Inscrição (enviado pelos Correios para a residência do candidato e disponibilizado no site do Enem)
- Documento de identificação original com foto (RG, carteira de motorista, passaporte, carteira de trabalho). Protocolos de identificação, como certidão de nascimento, casamento e título de eleitor não serão aceitos. Em caso de perda ou roubo dos documentos, o candidato deve apresentar um Boletim de Ocorrência expedido por órgão policial e emitido há no máximo 90 dias
- Água
- Lanche (biscoito, chocolate, barra de cereais)
O que não levar
- Lápis, borracha, apontador, lapiseira, grafite
- Livros, manuais, impressos, anotações,
- Nenhum tipo de eletrônico, como calculadoras, telefones celulares, pagers, bip, walkman, gravador, mp3 ou similares, relógio
- Qualquer receptor ou transmissor de dados e mensagens
Na prova
Dicas para preencher a prova corretamente e não correr o risco de ser eliminado
Caderno de Questões/Prova
- Não esqueça de marcar a cor do seu Caderno de Questões no seu Cartão-Resposta. Se essa opção não for assinalada, a prova será invalidada

- Os candidatos só poderão levar o Caderno de Questões se deixarem a sala depois de decorridas quatro horas desde o início da aplicação, nas provas do sábado, 22/10/2011, e decorridas cinco horas do início das provas do domingo, 23/10/2011
- Confira seus dados em todos os documentos do exame (Caderno de Questões, Cartão-Resposta, Folha de Redação, lista de presença) e não se esqueça de assinar no local indicado
Inglês/Espanhol
- Todas as provas terão questões de inglês e de espanhol, com numeração idêntica e gabaritos distintos. O estudante deve se atentar ao idioma escolhido e transferir para a folha de resposta apenas as alternativas referentes ao idioma pelo qual optou na inscrição
Foto: Robertson Cesar Luz/Fotoarena 
Para evitar atrasos, visite o local de prova antes e programe seu deslocamento
Horário
Quando começa e termina a prova nos dois dias de exame
- Atrasos não são tolerados. Recomenda-se chegar uma hora antes do início da prova, às 12h (horário de Brasília – atente-se para o horário de verão brasileiro)
- Os portões dos locais de prova fecham às 12h55 (horário de Brasília)
- A prova começa às 13h (horário de Brasília)
- O tempo mínimo de permanência na sala de provas é de duas horas, a partir do início do exame. No sábado, o tempo total é de 4h30min e no domingo, de 5h30min.
 
Transporte
Dicas para chegar ao local de provas com tranquilidade
- Visite o local da prova antes do Enem. Cronometre o tempo necessário para chegar, descubra quais são as linhas de ônibus que atendem a região e trace o seu itinerário. Atrasos não são tolerados
Alimentação
Como se alimentar bem antes e durante o exame
- Mantenha uma dieta balanceada nos dias em que antecedem o Enem e tome bastante água, para que o corpo fique hidratado
- No dia da prova, tome um café da manhã reforçado com alimentos leves (frutas, sucos, pães). Não é recomendado almoçar, nem comer alimentos pesados, gordurosos, que podem causar sonolência e desconforto estomacal
Foto: flavio torres 
Tomar bastante água antes e durante a prova é importante para manter o corpo hidratado
Sono
Cuidados necessários para não ser prejudicado por cansaço
- Durma bem nos dias em que antecedem o Enem. A prova é logo depois do almoço, esteja preparado para não sentir sono nesse horário 
Proibido
O que não pode ser feito durante o exame
Exclusão
O candidato será excluído se:
- mentir a identidade,
- apresentar documentos falsos
- destratar outros participantes ou a equipe de aplicação da prova
- sair da sala sem o acompanhamento de um fiscal ou antes de decorridas duas horas do início da prova
- se colar ou conversar com outro candidato
- não devolver o Cartão-Resposta e o Caderno de Questões

quinta-feira, outubro 20, 2011

Forró eletrônico: Festa, amor e sexo

Nova roupagem do gênero popularizado por Luiz Gonzaga é fenômeno da indústria cultural no Nordeste

Thalles Gomes,
de Maceió (AL)

Nos primeiros quinze dias de setembro serão doze apresentações em nove estados diferentes, começando por Rio Grande do Norte e passando por Bahia, Ceará, Paraíba, Piauí, Acre, Rondônia e Pará, de onde partirão rumo a Alagoas para dois shows numa mesma noite, em Maceió e Anadia. Rotina comum para os integrantes da banda Aviões do Forró que, nos últimos sete meses, realizou 148 apresentações, uma média de mais de 21 espetáculos por mês.
Foto: Thalles Gomes
Não se trata de caso isolado. Se somarmos os compromissos de outras cinco bandas do gênero, ultrapassaremos a casa dos 110 shows somente no mês de setembro. De fato, as apresentações de forró eletrônico ocorrem por todo o território nordestino em todas as épocas do ano. E não é de hoje que vêm avançando para outras regiões e, inclusive, continentes – no início desse ano, a banda Aviões do Forró fez sua segunda turnê européia, com apresentações em Amsterdã, Zurique e Porto. Surgido no início dos anos 1990, o forró eletrônico se propôs a modernizar o universo do forró tradicional difundido e consolidado em todo o Brasil por Luiz Gonzaga, Sivuca, Dominguinhos e Trio Nordestino. Essa modernização buscava aproximar o forró da música pop nacional e internacional.
Para tanto, zabumba e triângulo perderam espaço para baixo, bateria, metais e teclado. A sanfona foi mantida, no intuito de preservar o DNA musical, mas sua importância sonora foi reduzida.
A mudança mais significativa, entretanto, seria na temática. Buscando superar o referencial nostálgico e sertanejo característico do forró tradicional, as letras das bandas de forró eletrônico incorporaram o urbano, o sensual, o duplo sentido, a diversão. “O eletrônico canta o urbano, o jovem e está constantemente em busca de festa, diversão, alegria e sexo, com amor ou sem amor”, completa o professor da UFPE, Felipe Trotta. Para ele, a temática do forró eletrônico pode ser resumida no trinômio festa, amor e sexo.
“Nossas músicas falam mais de amor, não do sertão como os forrós de antigamente, para fazer uma reciclagem do público, acompanhando as gerações e falando a mesma língua da galera”, confirma Carlos Aristides, um dos empresários da Aviões do Forró.
E é justamente no espaço da festa que as bandas de forró eletrônico melhor expressam sua sonoridade e temática, conquistando público cada vez maior. Mesmo com boa vendagem de discos e presença constante nas rádios – são duas músicas do gênero por hora, de acordo com pesquisa feita por Paulo Camêllo nas três maiores emissoras de Recife em 2008 – são nos shows que a experiência musical do forró eletrônico se concretiza e fortalece.
Repletas de brilho e iluminação, com equipamentos de ponta e dezenas de dançarinos reforçando a sensualidade das músicas, as apresentações destas bandas se tornaram cada vez mais disputadas, não perdendo em grandiloquência e público para shows de artistas nacionais e internacionais – até porque, os grandes hits estrangeiros costumam ganhar versão dançante em português. Aviões do Forró, por exemplo, reuniu mais de 70 mil pessoas em Salvador para a gravação de seu DVD lançado em abril deste ano.
Felipe Trotta explica que os empresários e produtores deste nicho investem cada vez mais no que ele chama de economia da experiência e da performance, “um sistema comercial no qual o consumidor paga não para adquirir um produto ou um serviço, mas para passar algum tempo participando de uma série de eventos memoráveis, o que se torna algo único e altamente lucrativo”.

Empresários ao centro

De fato, os empresários têm papel central no universo do forró eletrônico. Controlam não somente o planejamento comercial e as estratégicas de divulgação, mas a própria construção do estilo, a escolha do nome e os integrantes da banda. No forró eletrônico, todos os músicos são trabalhadores contratados, inclusive os cantores.
Desde os primórdios do gênero esse modelo impera – a primeira banda de forró eletrônico, Mastruz com Leite, foi organizada pelo empresário Emanoel Gurgel. Atualmente, a principal empresa do setor é a A3 Entretenimento.
Capitaneada pelos empresários Carlos Aristides, Zequinha Aristides, Isaias Duarte e Cláudio Melo, a A3 Entretenimento surgiu em 2006 no estado do Ceará e, de acordo com informações de seu site oficial, “atua como um conglomerado de empresas que objetiva atuar na promoção de eventos e bandas”. Reúne em seu “casting” as bandas Aviões do Forró, Forró do Miúdo, Forró dos Plays, Solteirões do Forró, Forró Balancear, Chicabana, Boca a Boca, A Comandante e Forró Pé de Ouro. Além disso, fazem parte da empresa cinco casas de show e duas emissoras de rádio.
Esse caráter forjado, somado à temática erotizante e a sonoridade pasteurizada são os principais argumentos dos que criticam o forró eletrônico e veem nele um desvirtuamento da cultura e identidade nordestina.
Nesta linha, causou polêmica a atitude do secretário de cultura da Paraíba, Chico César, ao declarar às vésperas dos festejos juninos deste ano que o estado não iria “contratar nem pagar grupos musicais e artistas cujos estilos nada têm a ver com a herança da tradição musical nordestina, cujo ápice se dá no período junino”. O secretário paraibano argumentou que “não faz muito tempo vaiaram Sivuca em festa junina paga com dinheiro público aqui na Paraíba porque ele, já velhinho, tocava sanfona em vez de teclado e não tinha moças seminuas dançando em seu palco”. E completou: “Nunca nos passou pela cabeça proibir ou sugerir a proibição de quaisquer tendências. Quem quiser tê-los que os pague, apenas isso”.
Para além da discussão sobre as prioridades do financiamento público, há na atitude de Chico César uma posição implícita acerca da identidade e cultura nordestina, reverberada por outros artistas e intelectuais preocupados com uma possível degeneração e sepultamento de certos valores e tradições regionais.
Entretanto, mais do que aceitar ou negar a legitimidade do forró eletrônico como gênero musical, trata-se de compreender as razões e estratégias de sua ascensão e sucesso. E para isso, é preciso ir mais além dos debates sobre gosto ou qualidade musical e desvendar as mudanças socioeconômicas pelas quais passou a região nas últimas décadas.
Ao construir um universo musical direcionado a um público jovem e urbano, copiando e recriando os elementos do imaginário da cultura pop transnacional, os empresários do forró eletrônico criaram uma resposta da indústria cultural a um processo de urbanização e empoderamento monetário que teve início nos anos 80 em todo o Nordeste.

Sem “sofrimento”
De acordo com dados do IBGE, em 1980 a população nordestina estava dividida quase que por igual em urbana (50,7%) e rural (49,3%). Desde então, o ritmo de urbanização da região superou a média das regiões mais desenvolvidas do país. Em 1990, a população urbana já chegava a 60,6%, passando para 69% na virada do século, até chegar aos atuais 73,1%, de acordo com o Censo 2010.
Trata-se, dessa forma, de uma população urbana e jovem - de acordo com o mesmo IBGE, 50% da população nordestina têm menos de 30 anos. Se somarmos essa urbanização tardia ao fato de que nos últimos anos há um aquecimento da economia local, com aumento da renda dos assalariados e elevação de consumo entre as classes C e D, teremos um quadro socioeconômico que ajuda a entender a preferência de boa parte do público pelo estilizado e moderno do forró eletrônico, em detrimento do saudosismo rural do forró tradicional.
Os empresários da A3 Entretenimento parecem ter compreendido e aproveitado como ninguém essas mudanças. Em seu site oficial, ao falar da banda Aviões do Forró, eles explicam que “as letras trazem uma linguagem diferente do forró clássico, se distanciando de temas como o sofrimento do nordestino. Mas não esquecem as raízes do ritmo, tendo como referência músicos como Luiz Gonzaga. O repertório popular atinge um público jovem por falar sobre relações amorosas, sem deixar de lado o ritmo dançante e animado”.
Fonte: Brasil de Fato

Castanhas ao leite

A gente mantém uma relação assim: ela vem vindo pelo corredor, lenta e densa, queimando o ar, e eu vou ficando sem graça.
Nanda Barreto


Mulher de Frente, desenho
a caneta-tinteiro de
Portinari de 1941
Já da primeira vez, notei que ela vinha acarretada de mágoas no peito e uma história estranha na garganta. A testa retesada de quem não sabe mais o que fazer com a dor. A dor de quem se curvou. O corpo curvado de amor retido. De medo de viver. Um balançar inseguro, típico de quem não vai e não faz se não souber pra onde e o porquê. E foi dar logo de cara comigo, que adoro subverter as pequenas estruturas do dia a dia. Muita sorte ou azar.
Pouco importa. Tanto faz se ela me receia, porque sei que é docemente falsa a sua autossuficiência. E eu subverto. Me desfaço de conceitos para chegar mais perto dela. Esta mulher acaba comigo. Há dois meses que não durmo. Ela fica cravada na minha retina. Tenho mil versões dela na minha cabeça. Ela de biquíni, ela de paletó, ela de jardineira, duas dela, duas dela juntas na cama, ela, ela, ela.
A gente mantém uma relação assim: ela vem vindo pelo corredor, lenta e densa, queimando o ar, e eu vou ficando sem graça. Aí ela chega mais perto, num andar para lá de hesitante, e quando passa por mim diz “oi”. Um “oi” tímido, suave, murmurado. Deus! Que “oi” esta mulher tem! Aí eu respondo, “oi”, embasbacado. Todos os dias digo que de hoje não passa. Que dou um jeito de me avizinhar do seu pescoço. Que descubro que negócio é esse que altera todo o movimento dela. O andar dela. O rebolado dela. Ela.
Imagino os cabelos dela brincando no meu rosto. Que rosto! E o gosto? Quero experimentar o gosto de mulher que ela tem. Fantasio ela de calça de moletom cinza, camiseta azul, meias brancas e chinelos havaianas verdes, de manhã cedinho, bebendo leite ou café na minha cozinha. Ela tem um mistério, uma coisa assim encravada na alma, sabe? E eu sei que parece atrevimento, loucura ou petulância mesmo, mas acho que posso fazê-la sorrir mais largo, mais forte, mais sincero.
Todos os dias espero por ela. Busco disfarçar para que não desconfiem, mas não posso mais. Não suporto mais. Tenho bebido muito, embora já não saia mais à noite. Consegui uma foto dela, de minissaia e blusa preta numa festinha de aniversário da repartição. Bebo em casa sozinho e me entusiasmo com as mãos. Extirpo de mim meu desejo por ela. Não posso mais agir assim, sei bem. Ela de biquíni, ela de paletó, ela de jardineira, duas dela, ela, ela, ela.
Me sinto um pouco rústico por desejá-la e não dividir isso com ela. Gosto tanto das suas coxas. Ficaria o dia inteiro ajoelhado beijando as coxas dela enquanto ela trabalha, enquanto ela estuda, enquanto ela fala ao telefone. Era lá que eu gostaria de estar agora, entre suas coxas quentes e firmes. Coxas cor de castanha.
Tarde destas, quando ela veio, veio de um jeito diferente daquele que ela sempre vinha. Me lançou um olhar penitente e tinha a boca entreaberta. Eu fiquei tenso com o que ela diria. Muita língua e saliva, eu pensava, enquanto meu corpo antecipava o suor. Meu corpo todo propenso ao corpo dela, vontade súbita de tirar a roupa e amá-la ali mesmo, no chão do corredor.
Ela vinha vindo daquele jeito que eu nunca vi ela vir. Jogou para cima de mim um olhar de quem arrisca toda dignidade numa confissão e disse “oi, tudo bem”. Ela meu perguntou se estava “tudo bem”! Quase não acreditei. Então, encorajado pela nossa relação de compreensão mútua, baseada no diálogo, eu respondi “sim, e com você?”. Ela respondeu, eu emendei, ela rebateu, eu espirrei.
Um, três, quatro, vinte, trinta e dois espirros. Um atrás do outro. Tentei trancar todos. Dizem que a velocidade do espirro pode chegar a cento e sessenta quilômetros por hora e que ao tampar o nariz a pressão é tanta que pode expulsar os olhos, ou arrombar o tímpano ou romper uma veia importante e aí, babaus, já era.
Mas eu arriscaria a vida por ela outra vez se fosse preciso. E então, as mulheres! Meu Deus! As mulheres. Quem vai entendê-las? Então ela me lançou um sorriso muito leve e, antes de chegar mais perto do meu ouvido, exatamente naquela proximidade que deixa o corpo sentindo o calor um do outro, o hálito um do outro, então ela disse “posso te contar um segredo?”.
E me segredou coisas sobre aquele corpo hesitante, aquele corpo curvado e, para meu sobressalto, um corpo praticamente sem dor, para não dizer um corpo de pleno prazer. Ela se enredou no meu ouvido e eu tremi. Chegou mais perto ainda. Me olhou de um jeito de quem arrisca toda a dignidade numa confissão e me contou coisas que eu, à noite, sozinho e bêbado no meu quarto, jamais pude imaginar.

Nanda Barreto é jornalista e escritora

COPA DO MUNDO NO BRASIL VAI VIRAR MUNDIÇA


Compre um ingresso e entre no país
 Lei Geral prevê a dispensa do visto aos estrangeiros que adquirirem ingressos para os jogos do mundial.
 Comprovante de renda, de residência, de emprego fixo, declaração escolar e extratos bancários. A pilha de documentos exigidos atualmente para que estrangeiros possam fazer turismo no Brasil deve ser reduzida a um simples ingresso para algum dos jogos da Copa do Mundo de 2014. A brecha consta na Lei Geral da Copa, em análise no Congresso. O texto do projeto estabelece o afrouxamento nas rotinas de concessão de vistos a estrangeiros vindos de países que atualmente só deixam os brasileiros partirem de seus aeroportos mediante um pente-fino financeiro e criminal em suas vidas.
Depois da Copa do Mundo da África do Sul, em 2010, o Brasil será o segundo país a suspender suas regras vigentes de seleção de imigrantes temporários para se adequar às exigências da Federação Internacional de Futebol (Fifa). A Lei Geral da Copa diz que "considera-se documentação suficiente para obtenção do visto de entrada ou para o ingresso no território nacional o passaporte válido" em conjunto "com qualquer instrumento que demonstre a sua vinculação com os eventos", resumido no capítulo três da lei como "ingressos ou confirmação de aquisição".
A Alemanha, na Copa de 2006, divulgou regras de emissão de vistos e o país fez questão de ressaltar que, apesar de estar "aberto" ao evento, não mudaria normas para facilitar a entrada de turistas e sugeriu aos torcedores que tirassem o visto antes de comprar o ingresso: "O Ministério das Relações Exteriores recomenda a todos os fãs de futebol que necessitam de visto a encaminhar os documentos o mais cedo possível". Na época, o governo germânico ainda acrescentou que os ingressos não seriam sinônimo de comprovação de boa-fé do viajante. "A apresentação de bilhete para um jogo de Copa do Mundo ou uma prova de que esse tipo de bilhete foi comprado será vista apenas como uma forma de fundamentar o propósito da viagem, mas em si não concede o direito a um visto", orientou o governo alemão. Nas Copas de 2002, na Coreia do Sul/Japão, e de 1994, nos Estados Unidos, também não houve abertura irrestrita de fronteiras.
Na África do Sul, entretanto, para resolver o encalhe de ingressos, as autoridades liberaram a entrada de estrangeiros com bilhetes e deixaram até mesmo de cobrar a taxa de visto, que custava cerca de US$ 60 no ano passado. Quando perceberam que o afrouxamento temporário das regras estimulou o aumento da procura por viagens ao continente africano, as autoridades lançaram mão de tratamento diferenciado na concessão de vistos.
Fonte DN

VINTE E QUATRO MIL ESCOLAS FECHAM NO MEIO RURAL

Um grupo de professores, intelectuais e entidades da área da educação assinam manifesto, que denuncia o fechamento de 24 mil escolas no meio rural e cobra a implementação de políticas para o fortalecimento da educação do campo.
Um grupo de professores, intelectuais e entidades da área da educação assinaram manifesto lançado pelo MST, na última sexta-feira (14), que denuncia o fechamento de 24 mil escolas no meio rural e cobra a implementação de políticas para o fortalecimento da educação do campo.
“Fechar uma escola do campo significa privar milhares de jovens de seu direito à escolarização, à formação como cidadãos e ao ensino que contemple e se dê em sua realidade e como parte de sua cultura. Num país de milhares de analfabetos, impedir por motivos econômicos ou administrativos o acesso dos jovens à escola é, sim, um crime!”, denuncia o documento.
Entre 2002 e 2009, mais de 24 mil escolas do campo foram fechadas. Os dados do Censo Escolar do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), do Ministério da Educação, apontam que, no meio rural, existiam 107.432 escolas em 2002. Já em 2009, o número de estabelecimentos de ensino reduziu para 83.036.
O manifesto é assinado pela filósofa Marilena Chauí, professora de Filosofia da Universidade de São Paulo, os educadores Dermeval Saviani, doutor em Filosofia da Educação e professor da Universidade Estadual de Campinas, Gaudêncio Frigotto, professor titular aposentado da Universidade Federal Fluminense (UFF) e Roberto Leher, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, entre outros.
Entre as entidades, subscrevem o documento a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e a Ação Educativa.
Abaixo, leia o manifesto.

MANIFESTO EM DEFESA DAS ESCOLAS DO CAMPO

CAMPANHA FECHAR ESCOLAS É CRIME!
Mais de 24 mil escolas do campo foram fechadas nos últimos oito anos
A Educação é um direito fundamental garantido pela Constituição Federal (Título II - Dos Direitos e Garantias Fundamentais, Capítulo III, seção I) - direito de todos e dever do Estado. Entretanto, nos últimos anos, milhares de crianças e adolescentes, filhos e filhas de camponeses, estão sendo privados deste direito.
Nos últimos oito anos, mais de 24 mil escolas do campo foram fechadas. Os dados do Censo Escolar do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), do Ministério da Educação, apontam que, no meio rural, existiam 107.432 escolas em 2002. Já em 2009, o número de estabelecimentos de ensino reduziu para 83.036.
Para essas famílias camponesas, o anúncio do fechamento de uma escola na sua comunidade ou nas redondezas significa relegar seus filhos ao transporte escolar precarizado, às longas viagens diárias de ida e volta, saindo de madrugada e chegando ao meio da tarde; à perda da convivência familiar, ao abandono da cultura do trabalho do campo e a tantos outros problemas.
O resultado comum desse processo é o abandono da escola, por grande parte daqueles levados do campo para estudar na cidade. É por essa razão que os níveis de escolaridade persistem muito baixos no campo brasileiro, em que pese tenha-se investido esforços e recursos para a universalização da educação básica.
Portanto, fechar uma escola do campo significa privar milhares de jovens de seu direito à escolarização, à formação como cidadãos e ao ensino que contemple e se dê em sua realidade e como parte de sua cultura. Num país de milhares de analfabetos, impedir por motivos econômicos ou administrativos o acesso dos jovens à escola é, sim, um crime!
A situação seria ainda mais grave não fosse a luta dos movimentos sociais do campo, por políticas de ampliação, recuperação, investimentos, formação de educadores e construção de escolas no campo. Importantes para reduzir a marcha do descaso dos gestores públicos para com os sujeitos do campo, mas insuficiente para garantir a universalização do acesso à educação no campo.
Denunciamos essa trágica realidade e conclamamos aos gestores públicos municipais, estaduais e federais que suspendam essa política excludente, revertendo o fechamento de escolas e ampliando o acesso à educação do campo e no campo. Conclamamos também a sociedade brasileira para que se manifeste em defesa do direito humano à educação, em defesa dos direitos das crianças, adolescentes e jovens do campo frequentarem a educação básica, no campo.
Defender as escolas do campo é uma obrigação, fechar escolas é um crime contra as futuras gerações e a própria sociedade!
Assinam
Marilena Chauí - Professora de Filosofia da Universidade de São Paulo (USP)
Dermeval Saviani- Doutor em Filosofia da Educação – Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP),
Gaudêncio Frigotto, Professor Titular aposentado da Universidade Federal Fluminense (UFF) mestre e doutor em Educação
Roberto Leher - Professor da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
Celi Zulke Taffarel - Doutora em Educação – Universidade Federal da Bahia (UFBA)
Sergio Lessa, professor do Departamento de Filosofia da Universidade Federal de Alagoas Universidade Federal de Alagoas (UFAL)
Elza Margarida de Mendonça Peixoto - Doutora em Educação - Universidade Federal da Bahia (UFBA)
Attíco Chassot- Atua na área de Educação, com ênfase em Alfabetização científica e História e Filosofia da Ciência - Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS)
Gelsa Knijnik- Doutora em Educação da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS)
Luiz Carlos de Freitas- é professor da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP)
Cláudio Eduardo Félix dos Santos – Doutorando em Educação - Professor da Universidade do Estado da Bahia (UNEB)
Mauro Titton - Professor do Centro de Educação da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)
Daniel Cara - Cientista Político - Coordenador Geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação.

Entidades
Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE)- Presidente Roberto Franklin de Leão
Ação Educativa - Sergio Haddad, economista, doutor em educação, coordenador geral
Centro de Cultura Luiz Freire – (CCLF)
Latinoamericana da educação - Campaña Latinoamericana por el Derecho a la Educación – (CLADE) - Coordenadora Camilla Crosso
Centro de Defesa da Criança e do Adolescente (CEDECA- CE) -– Coordenadora Margarida Marques
E-Changer Brasil – Solidariedade, construção coletiva, intercambio entre os povos – Coordenação - Djalma Costa
SINDSERV. CAICÓ-RN
Blog de Antônio Neves

quarta-feira, outubro 19, 2011

Um novo discurso para o jovem leitor

Yuno Silva - repórter

No final da década de setenta, quando a reforma educacional resolveu unificar o estilo de provas e incluir literatura no vestibular, iniciou-se um processo de desconstrução para formação de leitores e atingiu em cheio as novas gerações. Desde então, o segmento literário brasileiro nunca mais foi o mesmo, e a leitura passou a ser imposta nas escolas como algo à parte da formação intelectual dos estudantes - fato que mandou às favas o prazer em ler.

Aldair DantasPara Mário Prata, estão formando uma legião de não leitoresPara Mário Prata, estão formando uma legião de não leitores
Esse é o entendimento do escritor, dramaturgo e jornalista Mário Prata, que passa a semana em Natal onde participa de dois eventos literários, a FliQ e o Ação Potiguar de Incentivo à Leitura, iniciativa do selo editorial Jovens Escribas - iniciativa que busca justamente encurtar essas distâncias entre leitor e livro, levando escritores para dialogar com estudantes nas escolas. Para o autor mineiro, "enquanto houver literatura no vestibular, não haverá leitura. Desde 1967, quando fiz vestibular para Economia,  estão formando uma legião de não leitores ao tratar literatura da mesma forma técnica que tratam o estudo de Física, Biologia e Matemática. Vira uma obrigação descartada logo que o aluno é aprovado", aposta.

"Como a literatura entrou nessa jogada durante o ditadura Militar, optou-se pelos clássicos que não apresentavam riscos ao regime. Clássico só é bom no futebol", diverte-se sem deixar de falar sério. "E não tenho a menor dúvida do que estou falando!", garante. "Há tempo para tudo, até para os clássicos", emenda.

Prata, que abre oficialmente o projeto de Incentivo à Leitura nesta quarta-feira, às 19h, na Assembleia Legislativa, durante bate-papo com o escritor e poeta potiguar Nei Leandro de Castro, lembrou que o Brasil não é um país de leitores por causa do "erro histórico incorporado pelo projeto pedagógico que indica os livros certos na hora errada aos estudantes. Hoje as coisas estão na internet, inclusive resumos de livros, e o sistema educacional está demorando para acompanhar essa revolução", disse. "Esse formato impede a chegada de títulos legais nas mãos dos jovens, livros que podem despertar o gosto pela leitura".

Mário Prata despejou suas opiniões ao ser questionado sobre sua participação no Ação Potiguar de Incentivo à Leitura. Além da abertura na AL hoje à noite, ele também conversa com alunos do CEI da Romualdo Galvão na manhã desta quinta-feira, mas diz que mais importante que falar com alunos é convencer os professores a mudar a tática. O autor esteve em Natal em setembro do ano passado participando do seminário Prazer em Ler.

Lançamentos nas escolas

O Ação Potiguar de Incentivo à Leitura, projeto posto em prática pelos Jovens Escribas, complementa o perfil dos eventos literários já realizados no RN, pois a meta é focar o leitor. A programação, iniciada segunda-feira (17), segue até sábado (22) com série de encontros entre estudantes e autores em escolas (públicas e privadas), universidade e livraria, além do lançamentos de dois novos títulos do selo editorial JE - "Paraíso Perdido", de Cláudia Magalhães, e "Esporro - underground carioca dos anos 90", do roqueiro fluminense Leonardo Panço.

"Notamos que há no Estado dois tipos de eventos literários: um focado no livro e o outro no autor. Ambos são importantíssimos, mas faltava ainda o terceiro vértice do triângulo: o leitor. São eventos complementares", declarou Carlos Fialho, um dos organizadores do evento. "Desde que criamos o Jovens Escribas, a primeira coisa a ser feita era deixar de lado aquele papo derrotista de que 'ninguém lê literatura potiguar' para investir na formação de plateia. Começamos devagar, com o projeto JE Convida, que iniciou o intercâmbio com autores de outros estados, e para evoluir até um evento maior como o Ação foi um pulo", acrescentou o jovem escriba Patrício Júnior.

Os encontros acontecem nas escolas Estaduais Anísio Texeira e Castro Alves, escola Municipal 4º Centenário, Colégio CEI Romualdo Galvão e na Universidade Potiguar, e a previsão é contabilizar a participação de cerca de quatro mil estudantes durante o período. "O formato desses encontros é bem informal, ou seja, não há um roteiro pré-estabelecido e tudo depende da interação do público. Os convidados vão contar experiências pessoais e a importância que a leitura teve na trajetória de cada um. Falar das influências, como é a produção e como ler pode ser divertido. Queremos que a empolgação dos escritores contamine as pessoas", adianta Patrício.

Entre os convidados figuram, além de Mário Prata, Nei Leandro de Castro, Cláudia Magalhães, Leonardo Panço, Patrício e Fialho, os autores Pablo Capistrano, Clotilde Tavares, Carito, Daniel Minchoni, Ana Célia Cavalcanti, o matogrossense Joca Terron, o quadrinista de São Paulo Rafael Coutinho e o escritor mineiro Sérgio Fantini, que também ministra palestra. Toda a programação é gratuita e aberta ao público. A iniciativa tem patrocínio do CEI Romualdo Galvão, Ale Combustíveis, Cabo Telecom e Assembleia Legislativa.

Pablo Capistrano destaca interesse pela escrita

O professor e escritor Pablo Capistrano, que acaba de lançar a ficção "É Preciso ter sorte quando se está em guerra", esteve com alunos de escolas particulares e públicas na segunda-feira (17) e disse que "a experiência foi muito boa. O primeiro encontro foi com uma turma de perfil bem jovem  (entre 13 e 14 anos), e notei que há um interesse crescente pela literatura. Teve aluno declamando, outros disseram que estão escrevendo em blogs", disse Capistrano.

Giovann HackhartCapistrano diz que os jovens estão mais bem informados, mas que ainda não sabem interpretar.Capistrano diz que os jovens estão mais bem informados, mas que ainda não sabem interpretar.
À tarde, o escritor potiguar conversou com alunos um pouco mais velhos, entre 16 e 17 anos, de escolas públicas, e notou a mesma aproximação: "Mesmo de faixas etárias e classes sociais diferentes, notei que os desejos e anseios são semelhantes, as urgências é que são diferentes: todos querem se inserir o mais rápido possível no mercado de trabalho, mas de um lado há a facilidade em ter acesso à livros e a preocupação é manter o padrão familiar, o status social; do outro o foco é na sobrevivência, em pagar as contas", analisa.Para Pablo, o ponto em comum está na facilidade de conectar informações. "Os jovens estão mais informados que há dez anos, processam mais rápido, mas ainda não sabem direito como interpretar, compreender e transformar todo esse acesso em conhecimento".

Outro convidado que também está na programação e o quadrinista Rafael Coutinho. "Como os encontros são informais, não tenho nada preparado, vou conduzir o papo de acordo com a resposta da molecada. Vamos falar sobre quadrinhos, sobre internet, sobre quadrinhos na internet...", adiantou.

Serviço

Ação Potiguar de Incentivo à Leitura, lançamentos de livros, palestras e bate-papos. Aberto ao público e acesso gratuito.

. Quarta-feira (19), às 10h, no CEI Romualdo Galvão: Patrício Júnior. Tarde, 16h: Patrício, Joca Terron e Rafael Coutinho / Oficina com Sérgio Fantini na UnP da Floriano Peixoto (todas as vagas preenchidas)

. Quinta-feira (20), às 10h, na Escola Estadual Castro Alves, Pablo Capistrano, Patrício Jr e Carlos Fialho. Tarde, às 16h, no CEI Romualdo Galvão: Mário Prata. À noite, programação na livraria Siciliano do Midway.

. Sexta-feira (21), às 10h, no CEI Romualdo Galvão, Daniel Minchoni e Carito. Tarde, às 16h, Escola Municipal 4º Centenário. Noite, às 18h30, na livraria Siciliano do Midway, conversa com Clotilde Tavares, Cláudia Magalhães e Ana Célia Cavalcanti. Às 19h30, lançamento do livro "Paraíso Perdido" (contos) de Cláudia.

. Sábado (22), às 18h, no Centro Cultural DoSol - Ribeira, lançamento do livro "Esporro", de Leonardo Panço, mais show da banda Sangue Blues e DJ Magão.

segunda-feira, outubro 17, 2011

'Dá tempo de aprender', diz mulher de 46 anos que vai fazer o Enem

Engenheira largou emprego e fará prova para somar pontos na Unicamp.
Estudante de 46 anos estuda para o Enem desde agosto.

Vanessa Fajardo Do G1, em São Paulo

série enem segunda (Foto: Editoria de Arte/G1)
Depois de 23 anos sem estudar, a engenheira elétrica Angela Katayama, de 46 anos, vai voltar a disputar uma vaga no ensino superior público. Ela está entre os cerca de 5 milhões de inscritos para a prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) que ocorre nos dias 22 e 23 de outubro. A candidata pediu demissão do emprego e abandonou a carreira de engenharia para realizar um sonho: se tornar médica.
(Série 'Enem 2011: Chegou a hora'. O G1 publica nesta semana reportagens sobre a preparação dos estudantes para o Exame Nacional do Ensino Médio, que será neste sábado e domingo)
Angela tem se preparado para o Enem há dois meses com aulas diárias no Cursinho Oficina do Estudante, em Campinas. Deixou o emprego em uma sexta-feira e na segunda-feira seguinte já estava em sala de aula.
Angela vai usar o Enem para somar pontos para a segunda fase do vestibular da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Ela também vai prestar medicina na Fuvest (a Universidade de São Paulo não usa o Enem). "São muitos anos fora da escola, tem coisas que demoro mais para pegar. Tive de reaprender a escrever, sou da geração da ditadura onde os textos não eram argumentativos."
A candidata conta que desde criança queria ser médica, mas acabou seguindo outra profissão. "Gostava de ser engenheira, mas meu sonho mesmo era a medicina. Criei coragem, respirei fundo e me matriculei no cursinho para fazer o Enem."
Durante as tardes, já em casa, Angela costuma pegar os livros e cadernos e retomar algumas matérias. Nesta última semana antes do exame, Angela disse que vai tentar manter o equilíbrio entre descanso e estudo. "Não dá para estudar feito maluca nas últimas horas. Tem de tentar fazer de forma equilibrada. Chegar cansada para fazer a prova é um ponto contra." Por outro lado, segundo ela, ainda dá tempo de aprender, resolver pequenas falhas e olhar exemplos. "Sempre dá para aprender. Tem coisas que é possível melhorar em uma semana."
Angela é casada com um engenheiro e não tem filhos. Segundo ela, este foi um dos motivos que a encorajou a entrar na faculdade novamente. Ela conta que teve total incentivo do marido, mas achou que não seria bem recebida pelos estudantes do cursinho que têm entre 17 e 23 anos. "Mas não. Eles são ótimos, foram super receptivos."
Para Angela, a experiência profissional e maturidade trouxeram a ela vantagens que muitos vestibulandos podem não ter: a de conhecer seus pontos fortes e fracos. "Além do mais a geração mais nova tem dificuldade de leitura e interpretação."
'Rachar de estudar na véspera não adianta'
Professores ouvidos pelo G1 afirmam que nas últimas semanas antes da prova o melhor é fixar o conteúdo básico e seguir treinando as técnicas de interpretação de texto e de resolução de exercícios. Outra dica importante: ler jornais, revistas, sites e procurar se manter atualizado sobre os temas que foram destaque no noticiário do Brasil e do mundo este ano.
"O Enem verifica a formação total do estudante. Nada que possa ser aprendido em 30 dias é importante para a prova”, diz Francisco Achcar, coordenador de português do Objetivo. Para ele, "rachar" de estudar às vésperas do exame é pouco eficaz, já que no caso do Enem a preparação não ocorre em uma semana.
Outra sugestão para que o candidato chegue afiado no exame é refazer a prova do Enem 2010. Mas alerta que provas mais antigas podem estar muito diferentes do que deve cair neste ano.
Já na área de ciências da natureza, Sezar Sasson, supervisor de biologia do Anglo conta que o truque para se dar bem é ler a questão atentamente porque “os enunciados quase sempre oferecem os dados necessários para as respostas”. Ele lembra que os estudantes precisam saber interpretar gráficos e tabelas que aparecem com maior predominância em ciências da natureza. “Também é necessário saber decodificar os enunciados que quase sempre oferecem os dados necessários para as respostas.”

sábado, outubro 15, 2011

Vendas porta a porta ganham espaço no mercado de livros no país

De cada cinco livros vendidos no país, um é por venda porta a porta.
Avon, Hermes e Jequiti ampliam catálogos e chegam onde não há livrarias.

 Do G1
Vendedoras apresentam livros à moradora na Zona Sul de São Paulo (Foto: Darlan Alvarenga/G1) 
Vendedoras apresentam livros à família na Zona Sul de São Paulo (Foto: Darlan Alvarenga/G1)
“Ô de casa. Tem um minuto? É sobre escola, educação e cultura”, repete a vendedora Laís Alves de Souza, que se apresenta como agente de leitura, a cada residência abordada no Jardim Vaz de Lima, na periferia da Zona Sul de São Paulo. Por mais antiquada que possa parecer – diante da tendência de megalivrarias e sites com milhões de títulos – a venda de livros porta a porta e por catálogos disparou nos últimos anos e tem ajudado a alavancar o crescimento do mercado editorial brasileiro.
Dados da Câmara Brasileira do Livro (CBL) e da Associação Brasileira de Difusão de Livros (ABDL) mostram uma alta de 40,9% nas vendas de exemplares pelo canal porta a porta em 2010 em relação ao ano anterior. No mesmo período, a venda total de livros no país cresceu 8,3%. Atualmente, 1 de cada 5 exemplares é vendido pelo canal porta a porta. Há 5 anos, essa relação era de 1 para cada 20.
De 2006 a 2010, a participação do segmento no total de vendas aumentou de 5,43% para 21,66%, segundo pesquisa realizada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). Atualmente, somente as livrarias e as distribuidoras estão na frente do porta a porta como canal de venda, com participação de 40,51% e 22,55%, respectivamente. A ABDL estima que as vendas pela internet respodem por cerca de 6% do mercado.
Arte venda livros (Foto: Editoria de Arte/G1)
“O porta a porta está atuando como motor de crescimento do mercado editorial no país”, afirma Diego Drumond e Lima, presidente da ABDL e diretor-geral da Editora Escala. Segundo ele, o segmento reúne cerca de 80 editoras e 30 mil vendedores exclusivos de livros. “Temos mais de 5.500 municípios no país e apenas 2.300 livrarias. Então, o porta a porta, com a sua capilaridade, ajuda a suprir essa lacuna", diz.
Mesmo em capitais como São Paulo, a oferta porta a porta segue firme e forte. Com a maior participação da mulher no mercado de trabalho, tem aumentado o número de campainhas que precisam ser tocadas para um vendedor conseguir apresentar sua oferta. Mas levam poucos minutos para encontrar um morador receptivo ao material e que vai logo convidando os revendedores para entrarem dentro de suas casas, conforme presenciou a reportagem do G1.
“Para ser sincera, não gosto muito de ler não, mas tenho que incentivar meus filhos e também estou pensando em voltar a estudar”, afirma a atendente de padaria Maria Telma da Silva Lima, de 32 anos, que parcelou em seis vezes um kit de apoio ao estudo no ensino fundamental e médio.
A Espaço Editorial, especializada na venda direta de livros educativos, atua na região metropolitana de São Paulo com 30 vendedores que selecionam diariamente uma área de algum bairro de periferia. O foco são famílias com filhos que estudam na rede pública. Cada equipe é acompanhada por uma van carregada de livros e munida de uma máquina de cartão de crédito para garantir o pagamento e a entrega do material assim que a compra for efetivada.
'Agente de leitura'  apresenta oferta dentro da casa de moradora em SP (Foto: Darlan Alvarenga/G1) 
'Agentes de leitura' apresentam oferta no sofá de
casa na periferia de SP (Foto: Darlan Alvarenga/G1)
"Hoje em dia está até mais fácil vender livro. A verdade é que tem sempre alguém esperando que alguém bata na sua porta, pois se trata de uma necessidade de primeira linha”, diz o editor Valter Alves Borge. Segundo ele, o número de exemplares vendidos pela sua pequena empresa praticamente dobrou nos últimos dois anos.
Segundo a ABDL, o faturamento total do setor alcançou R$ 1,2 bilhão em 2010. Em 2008, foram R$ 681 milhões. “Acreditamos que em 2011 a participação do porta a porta irá chegar a 25%, o que fará da venda direta o segundo maior canal de vendas”, diz Lima.
Da mesma forma que nos demais canais de venda, os livros que lideram as vendas são os relacionados à material didático e à temas religiosos e de autoajuda. Mas o mercado procura se adaptar a cada novidade na área educacional. Hoje são oferecidos, além das obras de referência e suporte para pesquisa, coletâneas sobre a reforma ortográfica, guias de preparação para Enem e concursos, cursos de idiomas e de programas de computador. As ofertas geralmente são demonstradas na forma de kits e coleções, e costumam incluir brindes como DVDs, CDs, dicionários, videoaulas, entre outros atrativos.
O tradicional mercado de enciclopédias também segue em alta. A Editora Barsa Planeta, líder nesse mercado com 2 mil revendedores, informa ter vendido 70 mil coleções em 2010 ante 55 mil em 2009. E os preços estão longe de ser considerados populares: uma coleção custa em média R$ 2.500.
Brasileiro lê em média 4 livros por ano
Para Karine Pansa, presidente CBL, o potencial de crescimento do segmento ainda é enorme. “Há partes do país que ainda não foram atingidas e o brasileiro ainda lê pouco, principalmente se comparado aos Estados Unidos e Europa. Aqui a média é de 4,3 livros por ano por habitante, ao passo que lá fora esse número chega a 8", afirma.
Ela destaca que o preço médio do livro caiu mais de 4% em 2010 e que a tendência é que o crescimento do mercado ajude a manter essa trajetória. "Com o aumento da classe C e do crescimento educacional têm surgido um número cada vez maior de novos consumidores de livro, um público que até então não lia, que não poupa esforços para investir na formação dos filhos e que começa a enxergar a literatura como possibilidade", acrescenta.
Embora a abordagem porta a porta ainda responda pela maior parte das vendas, o mercado de venda direta passou a adotar novas estratégias, com vendedores que atuam apenas em portas de instituições de ensino ou escritórios e que não vendem apenas livros.
De olho no crescimento do mercado editorial, empresas especializadas em vendas diretas e com enorme presença no país têm ampliado o número de títulos nos tradicionais catálogos oferecidos pelos milhares de revendedores espalhados pelo país.
PRODUÇÃO DE LIVROS POR ÁREA TEMÁTICA
Primeira edição e reedição em 2010
Educação Básica (Didáticos) 45,72%
Religião 10,30%
Literatura Juvenil 8,89%
Literatura Adulta 8,05%
Literatura Infantil 5,38%
Auto-ajuda 2,87%
Direito 1,59%
Dicionários e Atlas Escolares 1,25%
Línguas e Linguística 1,25%
Economia, Administração e Negócios 0,83%
Fonte: CBL, SNEL e Fipe
Best-sellers em versões econômicas
A Jequiti, especializada na venda direta de cosméticos, começou a comercializar livros em fevereiro desde ano e já oferece mais de 40 títulos, em sua maioria no segmento de autoajuda e religião. “Os resultados foram bem expressivos, fazendo com que a cada ciclo a gente aumente a quantidade de títulos, com preços competitivos aos que encontramos nas livrarias”, diz Lásaro do Carmo Jr., presidente da empresa do Grupo Silvio Santos.
A Hermes, que possui 600 mil consultoras e atua na oferta de catálogos de variedades, começou a testar a venda de livros há quatro anos. Segundo o diretor de vendas Silvio Zveibil, o negócio deslanchou em 2010, com vendas de 10 milhões de exemplares e receita de R$ 140 milhões - um crescimento de 55% em relação ao ano anterior. Hoje, das 148 páginas do catálogo, 20 são destinadas a livros e revistas.

“Percebemos a oportunidade quando começamos a vender CDs. Começamos com livros infantis e guias para o público feminino. Hoje temos livro de pastor, livro de emagrecimento, livro para crianças", afirma o diretor da Hermes.. "Queremos oferecer tudo aquilo que o público estiver buscando nos rincões onde conseguimos chegar”, acrescenta.
A Avon, líder de mercado com um exército de 1,1 milhão de revendedoras, está no segmento há 18 anos, mas com o aquecimento da economia brasileira passou a ampliar as opções do catálogo, incluindo obras para o público infantil e títulos das listas de mais vendidos das livrarias, através de parcerias com mais de 20 editoras. Hoje, são oferecidos  cerca de 80 títulos, o equivalente a pelo menos 20% das ofertas do catálogo de moda e casa.
Espaço Editorial (Foto: Darlan Alvarenga/G1) 
Espaço Editorial atua nas ruas de SP com a opção
de pagamento em cartão (Foto: Darlan Alvarenga/G1)
"A estratégia é oferecer variedade e preços mais competitivos. Os volumes das nossas encomendas com as editoras permitem oferecer preços de 20% a 50% mais baixos", afirma Adriana Picazio, gerente da Avon no Brasil. A companhia não revela números de vendas, mas diz que já chegou a responder por metade das vendas anuais de best-sellers como o primeiro livro da série "Crepúsculo", em 2010, e de "O Código da Inteligência", do escritor Augusto Cury, no acumulado do ano.
"Com o livro Ágape, do padre Marcelo Rossi, vendemos em 4 meses o que as livrarias venderam em 14 meses", afirma Adriana.

Jorge Oakim, editor da Intrínseca, parceira da Avon desde 2008, explica que as encomendas para esse segmento costumam ser de edições mais enxutas, de menor custo, e que, na maioria dos casos, envolvem títulos que já estão na lista de mais vendidos. “Não chega a ser um pocket book, mas são livros mais econômicos, como capa e diagramação mais simples e mais barata”, diz.
A revendedora da Avon, Márcia Carvalheira, acredita que o preço seja o principal diferencial da venda de best-sellers por catálogo. "Vender um título conhecido é muito mais fácil e livro é um produto que cai muito bem na venda direta, onde você conhece o cliente e sabe muito bem o que oferecer. Tenho cliente que compra todo mês", conta a a vendedora. Segundo ela, os livros já representam 20% das suas vendas.  "Há dois anos, não chegava a 5%", diz.

A ABDL estima que as empresas especializadas em vendas por catálogo tenham distribuído cerca de 10 milhões dos 56 milhões de exemplares vendidos no segmento porta a porta em 2010. “Todas as empresas estão descobrindo que livro é produto em alta, com carência no mercado, livre de certos impostos e com boa margem de lucro”, afirma Lima.

Segundo o presidente da ABDL, nem mesmo o avanço da internet chega a representar uma ameaça ao mercado editorial. "O segundo mercado que mais cresce no país é o juvenil. Portanto, hoje, a criança que está sendo educada no computador está lendo muito mais livro no papel do que a criança de anos atrás", complementa.

Governador da PB anuncia 14º salário para escolas que atingirem metas

Ricardo Coutinho assinou quatro convênios neste sábado (15).
Garantia foi feita em solenidade no Dia do Professor.

Do G1

Ricardo Coutinho, governador da Paraíba, assina convênios com a UEPB  (Foto: Divulgação/Secom-PB)Ricardo Coutinho, governador da Paraíba, assina
convênios com a UEPB (Foto: Divulgação/Secom-PB)
O governador Ricardo Coutinho, da Paraíba, assinou quatro convênios neste sábado (15) com a Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) nas áreas de formação, combate ao analfabetismo e desenvolvimento da educação. Na solenidade em alusão ao Dia do Professor, no Palácio da Redenção, em João Pessoa, ele também anunciou que os docentes e funcionários das escolas que atingirem as metas do Programa Educação Exemplar receberão o 14° salário em dezembro deste ano.
Conforme a Secretaria de Comunicação do Estado, o programa vai pagar o salário extra para mil docentes que apresentarem os melhores projetos nas salas de aula. Já o programa Gestão Exemplar vai remunerar todos os funcionários e professores das 100 escolas que atingirem suas metas.
"Na essência, teremos professores que por estarem atuando nas 100 melhores escolas e que também apresentarem trabalhos poderão alcançar até o 15º salário no fim do ano. Entendemos isso como estímulo para que continuem se desenvolvendo e qualificando nossa educação”, disse o governador.
Ricardo Coutinho colocou como grande desafio da Educação na Paraíba a redução do analfabetismo e, para isso, informou que as pessoas atendidas pelo Bolsa Família que participarem do programa de Educação dos Jovens e Adultos (EJA) vão receber uma bolsa correspondente ao 13° salário do Bolsa Família.

Lei antifumo pode se tornar nacional

Relator de MP que aumenta impostos de cigarros pretende restringir fumo em ambientes coletivos. A proposta gera controvérsia porque legaliza os fumódromos

Jovem fumando (Foto: Dimas Ardian/Getty Images)
A lei antifumo existe em diversas cidades do mundo e, no Brasil, é aplicada em sete Estados. A principal medida dessa lei é proibir o consumo de cigarro em ambientes coletivos fechados, para desconforto em não-fumantes e, principalmente, riscos para a saúde. Agora, essa lei pode se tornar nacional. O deputado Renato Molling (PP-RS) pode inserir na Medida Provisória 540/11 emendas que criam uma lei antifumo válida para todo o país. A proposta gera controvérsia. Por um lado, organizações de saúde aprovam a restrição do fumo, mas também criticam alguns pontos da proposta.
A MP 540 cria o plano Brasil Maior – uma série de medidas para estimular a indústria nacional. Uma delas aumenta em até 300% o imposto sobre os cigarros vendidos no Brasil. Molling, relator da proposta, quer aproveitar a MP para tentar aprovar restrições ao fumo. "Nós estamos estudando essa possibilidade. Seria uma lei nacional que proíbe o fumo em locais coletivos fechados." Segundo o deputado, a ideia é transformar em nacional proibições que já existem em algumas cidades e Estados brasileiros, e em muitas localidades ao redor do mundo.
Uma das propostas estudadas pelo deputado proíbe a produção e venda de cigarros com sabor. Há hoje cerca de 40 marcas desse tipo de produto, que oferecem sabores como menta, cravo e cereja. O produto é questionado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que considera que as substâncias adicionadas ao cigarro para criar o sabor também são prejudiciais a saúde. Além disso, esse tipo de produto tem os jovens como público-alvo, tentando estimular as pessoas a começar a fumar mais cedo.
Algumas propostas, no entanto, geram controvérsia. Molling diz que pretende autorizar a utilização dos "fumódromos" nos estabelecimentos comerciais. Segundo o deputado, o objetivo é evitar que estabelecimentos percam clientes por causa da lei. "Nós não estamos criando os fumódromos, estamos apenas permitindo, desde que seja proibida a entrada de menores de 18 anos e seja em local isolado do resto do estabelecimento. Isso é importante para não colocar em risco a viabilidade econômica dos estabelecimentos."
Sete Estados brasileiros (São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Rondônia, Roraima, Amazonas e Paraíba) possuem legislação antifumo e proíbem a existência de fumódromos. A justificativa para a proibição é que fumar em ambientes fechados, com fumaça de outros fumantes, aumenta ainda mais os riscos dos fumantes desenvolver doenças relacionadas ao cigarro. Além disso, a OMS não recomenda a prática. O Ministério da Saúde brasileiro também é contra a legalização dos fumódromos.
Outra controvérsia é em relação à exposição do cigarro nos postos de venda. A proposta do deputado proíbe a exposição de propagandas de cigarros nos postos de venda, mas autoriza que o produto seja exibido. Os grupos antitabaco defendem que não haja nem propaganda nem exposição do produto, para evitar que jovens sejam atraídos.
Dificuldade em aprovar a MP pode fazer deputado recuar 
Os pontos polêmicos e as controvérsias podem fazer com que o deputado não apresente suas medidas no relatório final da MP 540. Molling disse a ÉPOCA que, como o assunto é controverso, a falta de acordo sobre a lei antifumo pode dificultar a aprovação do plano Brasil Maior. Se isso acontecer, e não houver acordo entre os parlamentares, Molling vai retirar a lei antifumo de seu relatório e tentar fazê-la tramitar como projeto do lei.
É provável que seja esse o caminho que a proposta de uma lei nacional antifumo vá trilhar, porque a MP sozinha já vai demandar muita negociação. Para se ter uma ideia, até o momento são mais de 240 emendas parlamentares propostas no texto da medida. Além disso, a MP tem prazo para ser aprovada, e enquanto isso não acontecer vai trancar a pauta no Congresso.
Na segunda-feira (17), o deputado vai se reunir com o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), para debater a tramitação do texto e as emendas apresentadas. O texto final, com ou sem lei antifumo, deve ser apresentado na semana seguinte.
Em São Paulo, diminuiu o consumo de cigarros
No mês passado, a lei antifumo de São Paulo completou dois anos, e a Secretaria Estadual de Saúde divulgou números sobre o consumo do cigarro no Estado. De acordo com esse levantamento, aumentou a quantidade de não-fumantes em 2010, e caiu a porcentagem de fumantes pesados.
Em 2010, 29% dos paulistas foram consideradas fumantes pesados (que consomem mais de dois maços de cigarro por dia), 29% como fumantes (de um a dois maços por dia), 14% como fumantes leves (menos de um maço por dia) e 28% se declararam não-fumantes. Apenas analisando os números, não é possível saber se o aumento dos não-fumantes aconteceu por causa da lei antifumo, mas a secretaria de saúde acredita que a lei contribuiu para a diminuição de fumantes.
NÃO SOU MESTRE DE NINGUÉM
Ninguém é discípulo meu.
Sou como a flecha na encruzilhada,
Cuja missão é apontar o caminho certo -
E depois ser abandonada…

Se o viandante não ultrapassar a seta,
Não cumpre o desejo da mesma.
Ai de mim se eu não for abandonado!
Se o viandante parar diante de mim,
Contemplando a minha forma e cores,
Se, em vez de demandar
A invisível longinqüidade
Se enamorar da minha visível propinqüidade,
Não compreender a minha mensagem,
Que aponta para além de mim,
Rumo ao Infinito. .

Ai de mim, se eu for espelho,
Perante o qual os homens parem
Para se contemplarem a si mesmos,
Em mortífero narcisismo!
Feliz de mim, se eu for janela aberta,
Que permita visão de horizontes longínquos,
Passagem franca para o Infinito!

Não sou mestre de ninguém,
Ninguém é discípulo meu!
Indico a todos o Mestre invisível,
Que habita na alma de cada um
E para além de todos os mundos.
Sinto-me feliz, quando o viajor,
Orientado pela legenda da minha seta,
Me abandona e vai em demanda
Da indigitada meta
Em espontânea liberdade,
Rumo à longínqua felicidade…
Autor: Huberto Rohden (São Ludgero, 1893 - 1981) foi um filósofo, educador e teólogo catarinense, radicado em São Paulo (SP). Precursor do espiritualismo universalista, escreveu mais de 100 obras (ao final da vida, condensadas em 65 livros), onde franqueou leitura ecumênica de temáticas espirituais e abordagem espiritualista de questões pertinentes à Pedagogia, Ciência e Filosofia, enfatizando o autoconhecimento, auto-educação e a auto-realização. Propositor da filosofia univérsica, por meio da qual defendia a harmonia cósmica e a cosmocracia: autogoverno pelas leis éticas universais, conexão do ser humano com a consciência coletiva do universo e florescimento da essência divina do indivíduo, reconhecendo que deve assumir as conseqüências de seus atos e buscar a reforma íntima, sem atribuir à autoridade eclesiástica o poder de eliminar os débitos morais do fiel.