quinta-feira, maio 19, 2011

Entrevista com a professora Amanda Gurgel

“Eu não entendo essa repercussão”

A professora de Língua Portuguesa, Amanda Gurgel, teve ontem a sua rotina alterada. Nada muito brusco, mas pequenos detalhes denunciavam as mudanças. Na assembleia dos professores, ontem à tarde, costumeiramente frequentada por Amanda, vez ou outra alguém a abordava para dar parabéns. Da mesma forma, o telefone celular da professora tocou bem mais vezes do que toca normalmente. Do outro lado da linha, mais congratulações. O motivo para tanto reconhecimento é um vídeo publicado no You Tube e difundido via Twitter onde Amanda expõe a situação dos professores do Estado. O discurso foi proferido no último dia 10 de maio, em uma audiência pública realizada na Assembleia Legislativa. Lá, Amanda Gurgel falou sobre as dificuldades dos professores no dia a dia e sobre o tratamento secundário dado pelos governos ao longo dos últimos anos à Educação. Pela contundência, o vídeo resultante dessa fala foi tomando aos poucos as redes sociais da internet. Ontem, nove dias depois, o nome “Amanda Gurgel” chegou a ser o sétimo mais citado no Twitter em todo o Brasil. Gilberto Gil e Zélia Duncan citaram o vídeo em suas contas no microblog. Marcelo Tas, apresentador do programa CQC, também fez uma postagem no Twitter, além de publicar em seu blog a mesma gravação. Amanda vê a rápida difusão do vídeo com ressalvas. Durante a entrevista concedida à TRIBUNA DO NORTE, a professora fez reiterados pedidos para que o “discurso político” e “a situação dos professores” tivessem mais peso na publicação do que a sua própria imagem. “Queria focar no discurso político, porque eu não tenho o menor interesse de focar na minha imagem”, disse. Jogada repentinamente no turbilhão das redes sociais da internet, Amanda Gurgel ganhou até mesmo perfis falsos no Twitter e no Facebook. “Não participo dessas redes sociais. Tenho uma conta no Orkut, mas nem foto tem lá. Fico surpresa com toda essa repercussão porque o meu discurso não trazia nada de novo. Qualquer professor conhece aquelas situações descritas”, complementa. A preferência da professora pelo lado “político” do vídeo em destaque vem do seu envolvimento no movimento sindical e da filiação ao Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados (PSTU). Ela participa ativamente do movimento grevista em curso por parte dos professores e defende a mobilização como forma de diminuir as dificuldades da categoria e dar mais qualidade à educação. “Nesse momento, é muito importante para a nossa categoria a manutenção desse movimento”, opina.

Conte o início da sua história como professora.

Olha, eu preferia começar falando sobre outro assunto. Porque o mais importante na minha fala, que foi transformada em vídeo, e nessa repercussão toda que está tendo, é que isso reflete uma situação existente há muito tempo na nossa categoria. Quem é professor há 20 ou 30 anos conhece o processo de degeneração pelo qual as escolas vêm passando. Isso é o principal e não a minha imagem ou até mesmo as minhas palavras, mas a situação. Nós temos diversas discussões em nível nacional. Existe, por exemplo, o Plano Nacional de Educação, que está sendo discutido e são essas as questões principais. Eu não quero que as pessoas me vejam como aquela professora que falou e ficou famosa. Eu sou realmente uma professora que pega três ônibus todos os dias para ir ao trabalho e não acho isso bonito. Eu não acho isso interessante. Eu acho que essa é uma situação de opressão.

Depois da repercussão do vídeo, você aderiu ao twitter?

Não. Eu não participo de nenhuma rede social. Mas fiquei sabendo hoje que há uma conta com meu nome. Minha irmã viu e me avisou. Mas a conta não é minha. É um fake que está tanto no Twitter quanto no Facebook. Eu na verdade estou chocada com essa expansão tão rápida, que pode servir tanto para o bem quanto para o mal.

Como é o seu cotidiano como professora?

Eu trabalho em duas escolas. Se tivesse noção da repercussão que aquilo teria, eu teria falado sobre a saúde do trabalhador porque eu sou inclusive vítima disso. Eu adoeci e precisei mudar de função. Hoje estou afastada da sala de aula e desenvolvo atividades pedagógicas na biblioteca e no laboratório de informática. Eu adoeci em decorrência da minha atividade em sala de aula. O que eu tentei foi falar sobre a condição de todos os trabalhadores. Daquele professor que tem o carro, mas não pode usá-lo todo dia porque não tem dinheiro para a gasolina. Porque a realidade dos trabalhadores é essa. Eu por exemplo moro em Nova Parnamirim e trabalho em Nova Natal e preciso acordar às 05h para chegar no horário. A minha realidade é mais suave, porque eu não tenho filho e não preciso dividir o meu salário. Na verdade, eu fico olhando para os meus colegas, da Escola Municipal Prof. Amadeu Araújo e da Escola Estadual Miriam Coeli, e pensando o quanto eles são corajosos. Isso porque são muitas as frustrações pelas quais nós passamos, desde quando escolhemos o curso de graduação, com todas as ilusões dos bancos de universidade, até chegar à realidade.

Você é professora de que disciplina e há quanto tempo?

Sou professora desde 2002. Entrei a Universidade em 2001 e no ano seguinte comecei a lecionar no Cursinho do DCE. A minha experiência exitosa na educação começou e se encerrou ali. Foi a experiência positiva que marcou. Sou professora de língua portuguesa, o que traz uma frustração maior ainda. Terminei um curso de licenciatura preparada para fazer com que os alunos produzam resenhas, crônicas, etc. Mas me deparei com uma sala de aula onde o aluno não é capaz de ler uma palavra simples como “bola”. Isso é desolador. A forma que eu encontrei de canalizar essa frustração é lutando pela categoria.

Por que você se interessou pelo magistério?

Eu tive uma professora, chamada Claudina, de Espanhol, que era uma fonte de admiração. Eu queria ser como ela. Eu sempre acreditei na educação. Não era a melhor aluna da classe, mas era aplicada. Então, eu quis ser professora por acreditar que nessa profissão seria possível mudar vidas.

Voltando ao vídeo, você preparou o discurso com antecedência?

Não. Eu prestei atenção nas falas anteriores e cada absurdo que era falado eu procurava um contraponto. No final, saiu aquilo ali. E não há nada naquelas palavras que não se diga todos os dias nas escolas, que os meus colegas não estejam cansados de saber. A realidade é a mesma há muito tempo. Eu não entendo toda essa repercussão. Talvez o grande lance do vídeo é ter sido gravado ali, na Assembleia Legislativa e na presença da secretária estadual de Educação. Algumas pessoas teriam medo, mas eu nem pensei nisso. Eu não tenho motivo para ter medo de Betânia Ramalho e nem de deputado nenhum, porque eles não me deram emprego e não dependo deles para nada. São eles quem dependem da população.

Incomoda a repercussão que o vídeo teve?

Não chega a incomodar. Mas queria focar no discurso político, porque eu não tenho o menor interesse de focar na minha imagem. É uma surpresa para mim, já que essa é a nossa realidade e não é nada novo.

Você prefere não ser vista como um símbolo dessa luta por melhoria?

Nem símbolo de uma luta. Eu sou apenas mais uma peça. Assim como eu, há outros, milhares de trabalhadores. Eu não sou símbolo de nada e nem pretendo ser.

Você viu quem citou o seu vídeo na internet nos últimos dias?

Fico sabendo quando alguém me liga e fala. Soube que o Gilberto Gil e a Zélia Duncan citaram.

O Marcelo Tas postou o vídeo no blog dele também...

É. Isso entre as celebridades. Contudo, o importante é porque muitas pessoas vão poder ver e não o fato de serem celebridades em si.
(TN)

domingo, maio 15, 2011

Tremor no Atlântico a cerca de 1,2 km da costa do Brasil não foi sentido em Natal

- Publicado por Robson Pires
 


Um tremor de magnitude 6 foi registrado pelo Centro Nacional de Informações sobre Terremotos do Estados Unidos no Oceano Atlântico a 878 quilômetros do Arquipélago de Fernando de Noronha e a 1.277 quilômetros de Natal neste domingo (15), às 10h08, horário de Brasília. As primeiras informações indicam que o tremor não foi sentido na capital potiguar, nem no aqruipélago.
O abalo no mar foi verificado pelo centro de pesquisa geológica norte-americano numa profundidade de 9 km, abaixo do fundo do mar. O local fica a 415 quilômetros do arquipélago de São Pedro e São Paulo e tem histórico de instabilidade, por estar acima de uma falha geológica.
Segundo o professor do Instituto de Geociência da Universidade de Brasília (UnB), João Willy Correa Rosa, o terremoto não representa risco de tsunami, porque ocorreu em um local de águas profundas.

JARDIM FOI NOTÍCIA EM 2001

O “Jornal do Seridó”, edição de 1º/11/2001, publicou a seguinte notícia:

Medidas para conter o abuso de som de veículos

Em várias cidades do Seridó, é notório o uso de caixas de som em automóveis, em alto volume, incomodando a população. Na cidade de Jardim de Piranhas, o problema está sendo solucionado pela Justiça.
A população vinha sofrendo com o uso incômodo de alto volume nas caixas de som, mas, com as medidas cabíveis sendo aplicadas, espera-se que o problema seja, finalmente, solucionado.
As providências estão sendo tomadas, para que a população seja favorecida com a proibição de sonorização incômoda e indevida.
Por recomendação da promotora pública Isabel Garcia Gomes Neta e determinação da juíza Alba Paulo de Azevedo, a polícia em Jardim de Piranhas passa, a partir de agora, a agir com mais rigor contra as pessoas que usam som em automóveis de forma abusiva, perturbando o sossego alheio.
De acordo com a determinação judicial, em Jardim de Piranhas, o procedimento dos policiais será conduzir o infrator à delegacia para preenchimento de um Termo Circunstancial (sic) de Ocorrência (TCO) e aguardar a decisão da Justiça, diante da infração cometida.
Principalmente os jovens têm o costume de pegar seus veículos, e colocar “caixões de som” que propagam uma sonorização incômoda para as pessoas próximas. Isso caracteriza crime (sic).

Como ficaria o Brasil com os novos Estados

iG
Se depender dos Projetos de Decretos Legislativos (PDCs) que tramitam no Congresso, o Brasil pode ter 37 Estados e quatro territórios da União, além do Distrito Federal (DF). A divisão territorial atual do País contempla 26 Estados e o DF.
A diferença dos territórios para os Estados é que eles teriam verba federal e sua gestão ficaria a cargo de um gestor indicado pela Presidência. Amapá, Acre, Roraima e Rondônia já funcionaram assim antes de ganhar status de estados.
Além de ser aprovada pelo Legislativo, a criação de um novo Estado depende de um plebiscito que deve ser respondido pela população local.
Além dos pedidos para criar novas unidades da federação, há uma PDC que sugere a revisão dos limites do Piauí, Ceará e do Rio Grande do Norte. Municípios que ficam na região de fronteira poderiam passar a pertencer ao Estado vizinho, se assim decidisse a população em plebiscito.
Desde 1988, já passaram pelo Congresso 92 projetos similares. O pedido mais antigo é de 1988, de autoria do então deputado Chico Humberto pedindo a criação do Estado do Triângulo, em Minas Gerais. Essa e muitas outras proposições foram arquivadas, mas as ideias de novos Estados continuam ativas em outros 25 PDCs que tramitam na Câmara e no Senado.
Saiba mais sobre cada estado:
Estado do Alto Solimões: Diversas propostas para desmembramento da região já circularam pela Câmara. O argumento é o mesmo usado em quase todos os projetos para a região Norte: levar serviços e infraestrtutura á população distante do poder central do estado.
Estado do Araguaia: Um dos PDCs que pede a divisão do Mato Grosso diz que, ao criar “arbitrariamente” o Mato Grosso do Sul, o governo agiu “partindo corações, gerando decepções de um lado e esperanças do outro”.
Estado de Carajás: Foi aprovado pela Câmara no início do mês. Há projetos com mais de 20 anos que pediam que a região, rica em minério fosse destaca do Pará.
Estado da Guanabara: Reativação do Estado da Guanabara que existiu entre 1960 e 1975 no território da cidade do Rio de Janeiro
Estado do Gurgeia: Ficaria no sul do Piauí. Há organizações locais que lutam pela separação que divulgam em livros, palestras e manifestações.
Estado do Mato Grosso do Norte: Argumento para separar a região é a distância da população da região à capial estadual, “ainda que muito
gratos pelo carinho, apoio estímulos que receberam do Sul do Mato Grosso”, diz o PDC.
Estado do Maranhão do Sul: O PDC que propõe a criação cita não só razões econômicas, mas também culturais para a mudança. “Prova disso é que hoje a nossa juventude tem optado por centros como Belém, Goiânia, Brasília, São Paulo e Palmas para realizar seus estudos universitários”, diz o texto proposto em fevereiro deste ano.
Estado do Rio Doce: A unidade da federação contaria com municípios das regiões do Rio Doce, da Mata e de Jequitinhonha/Mucuri.
Estado Rio São Francisco: Projetos que propõe a independência do oeste da Bahia foram apresentados – e rejeitados – diversas vezes.
Estado de Tapajós: Foi votado pela Câmara no início do mês, mas volta para o Senado que deve aprovar uma pequena alteração no texto e liberar o plebiscito.
Estado do Triângulo: É o único viável economicamente, segundo estudo de 2008 do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). A pesquisa considerava as propostas em tramitação naquele ano, entre as quais estava a do Triângulo.
Território Federal do Alto Rio Negro: A região banhada pelo Rio, no Amazonas é considerada muito isolada pela população, e por isso precisa ser um estado independente.
Território Federal do Oiapoque: A cidade mais ao norte do país pode virar território federal estratégico para vigilância de fronteiras e combate ao narcotráfico.
Território Federal do Rio Negro: Proposta por dois campeões de sugestão de novos estados: o senador Mozarildo Cavalcanti (PPB/RR) e o deputado João Herrmann Neto (PPS/SP)
Território Federal do Solimões: Também apresentado por vários parlamentares e aguardando votação da Casa há mais de dez anos.
O mapa com 37 estados e quatro territórios da União

sábado, maio 14, 2011

Insetos ajudam policial a localizar origem de maconha apreendida


Uma pesquisa desenvolvida na Universidade de Brasília (UnB) aponta novos caminhos de investigação para descobrir a origem das drogas ilícitas consumidas no país. A partir da identificação de insetos presentes em uma amostra de maconha apreendida no Distrito Federal, o biólogo e agente da Polícia Civil do DF Marcos Patrício Macedo conseguiu descobrir que a droga tinha sido produzida em Mato Grosso e no Paraguai. Segundo ele, é a primeira vez que essa metodologia é utilizada no país.

O trabalho de Macedo levou cerca de dois anos para ser concluído. A primeira etapa foi a manipulação do material apreendido para encontrar fragmentos de insetos que pudessem servir de pista para localizar a origem da droga. Macedo descobriu pedaços de formigas, besouros e marias-fedidas. Depois, procurou entomologistas (que estudam insetos) especializados em cada uma dessas espécies para identificar o habitat.

Uma das principais dificuldades, segundo o pesquisador, foi conseguir a liberação da droga para o estudo. “A gente pegou a maconha, fruto de apreensões que já estavam sob a guarda do Poder Judiciário. Fui muito bem recebido no Tribunal de Justiça do DF [TJ-DF], mas tive problemas para conseguir amostras em outros estados. Por isso, limitamos a pesquisa ao DF. É um tópico muito delicado, porque envolve muita responsabilidade, há um receio de que a amostra possa desparecer”, explicou ele.

Para o pesquisador, a descoberta pode ser mais uma ferramenta de investigação, além dos métodos já existente para o combate ao tráfico de drogas no país. “Ainda é uma pesquisa inicial, mas poderíamos analisar qual é a fonte de abastecimento de determinados centros urbanos. É uma alternativa interessante, toda metodologia nova tem um valor, principalmente quando a polícia se depara com um caso muito complicado. Quanto mais possibilidades, melhor”, afirmou.

A metodologia usada na pesquisa só poderia ser replicada em drogas não sintéticas e pouco processadas. “A maconha é fumada quase sem processamento nenhum, por isso ela vem com uma quantidade grande de insetos porque, nesse meio, não é comum o uso de agrotóxicos”, explicou o acadêmico. A pesquisa foi desenvolvida como dissertação do mestrado de Macedo na UnB, que pretende continuar estudando o assunto no nível de doutorado.

O uso de insetos para levantar provas de crimes já é um procedimento de investigação adotado em muitos países do mundo e aceito pela Justiça por causa da confiabilidade científica. Há, inclusive, um ramo de estudo específico, a entomologia forense. Com a análise de larvas encontradas em cadáveres em estado de decomposição é possível, por exemplo, determinar quando o crime foi cometido.

Da Agência Brasil
Retirada do blog de Jarles Cavalcanti

quinta-feira, maio 12, 2011

Ensino médio é o que menos evoluiu no Brasil ao longo dos anos

Dos alunos que terminam o ensino médio no Brasil, só 28% aprendem o conteúdo de português e apenas 11%, o de matemática. Mas, até 2016, ele será obrigatório para todos os adolescentes de até 17 anos.

O ensino médio, no Brasil, tem os maiores índices de abandono na comparação com outras etapas da educação. É o que Alan Severiano mostra na terceira reportagem da série que o Jornal Nacional exibe nesta semana.
O sonho de virar advogada vai ter de esperar. Aos 17 anos e grávida de cinco meses, Polyana abandonou o segundo ano do ensino médio em uma escola do interior do Piauí: “Eu vou ter a criança e não vou poder sair toda hora pra amamentar”, conta. 
. Acompanhe bastidores e mais informações no blog do JN Especial. 
A notícia desapontou o pai, que só sabe escrever o nome, e a mãe, que parou na sexta série: “Tem que chegar mais longe do que a mãe conseguiu. Por mim, ela estaria na escola ainda”, diz a mãe de Polyana.
Polyana contribui para uma estatística desanimadora no Brasil: a da evasão. De cada dez alunos que entram no primeiro ano do ensino fundamental, só metade conclui o ensino médio até 19 anos. E a estatística já leva em conta dois anos de atraso.
Muitos começam faltando: em uma escola, 30% abandonaram a sala de aula no ano passado. “Chega aqui, tem dois, três professores, ou então tem as duas primeiras aulas, ai não tem a 3ª, 4ª, 5ª, ou então tem só a 3ª, a 4ª, a 5ª, esse aluno termina desistindo”, diz o diretor da escola, José Basílio.
Lá, quem escreve no quadro, não é a professora. “Ela foi embora, deixou os alunos sem aula, sem nada. Ai eu assumi a responsabilidade, eu sou a líder da sala e assumi”, conta a aluna do primeiro ano do ensino médio Mariana Barbosa.
Um mês depois do início das aulas, ainda faltavam seis professores para completar o quadro. “Já chegou o período de provas e os professores ainda não chegaram. O de química e o de informática”, afirma a aluna Ana Paula Oliveira.
Os computadores, sem acesso à internet, passam o dia desligados. Nem na biblioteca é possível pesquisar. A preocupação de muitos é o vestibular.
“Acho que não tem nem uma mínima possibilidade de competir com os outros alunos desse jeito”, conta Kananda Teixeira.
O Piauí é o estado com o pior desempenho no ensino médio. Nota 3 no Ideb, o indicador de qualidade do Ministério da Educação.
Ao chegar em uma escola da zona norte de Teresina, que tinha sido previamente avisada sobre a entrevista, a equipe foi surpreendida por uma reforma relâmpago que começou no próprio dia da visita. Ao todo, 17 homens foram contratados para limpar, pintar, trocar as telhas da escola. Até carteiras novas chegaram.
“Disseram que vinha fazer uma reportagem e acharam melhor filmar mais limpinho desse jeito”, conta o mestre de obras Antonio Rodrigues Neto.
Se a estrutura física pode ser remendada, o que de fato dá significado à escola talvez exija uma reforma mais complexa. “São aulas muito chatas, aulas que a gente prefere ficar fora da sala do que estar dentro assistindo”, explica Thomás de Aquino Neri, de 20 anos.
De manhã, a maioria é jovem. À noite, adultos que trabalham. Como falar para turmas tão diferentes? “Tem toneladas de matérias que abordam de todos os assuntos possíveis. Não é todo mundo que precisa aprender tudo”, explica Ana Lucia Lima, diretora do Instituto Paulo Montenegro.
“A gente percebe que nem todo mundo acompanha o raciocínio”, conta um professor.
Dos alunos que terminam o ensino médio no Brasil, só 28% aprendem o conteúdo de português e apenas 11%, o de matemática.
“Tem coisas que eu não sei onde eu vou usar. E aí desestimula”, diz um aluno.
O ensino médio é o que menos evoluiu no Brasil e tem os piores indicadores. Até 2016, ele será obrigatório para todos os adolescentes de até 17 anos. Isso significa que, além de melhorar a qualidade, as escolas terão de se preparar para receber mais gente.
Se a lei fosse cumprida hoje, seria necessário criar três milhões de vagas. No Piauí, muitas escolas estão fechando turmas à noite, segundo o governo, por falta de procura.
O ministro da Educação diz que o maior desafio para atrair os alunos é fazer com que os estados adotem um novo currículo. O atual, muito voltado para o vestibular, já foi substituído em 700 escolas.
“Nós temos ainda um mal no Brasil que é o vestibular. Nós precisamos superar isso, ter um currículo mais enxuto, mais equilibrado, do ponto de vista das disciplinas, e que ofereça também perspectivas na direção da cultura e do trabalho”, diz Fernando Haddad.
Quem está na escola tem pressa. O futuro depende de botar em prática uma palavra de nove letras.
(G1)

terça-feira, maio 10, 2011

Apenas 25% dos alunos que terminam o fundamental aprendem o que deviam da língua portuguesa

No Brasil, mais de 700 mil crianças de 6 a 14 anos ainda estão fora da escola. Na escala de 0 a 10 do Ideb, o indicador de qualidade do MEC, a média dos estudantes do 5° ano foi 4,6 em 2009.

O Jornal Nacional apresenta uma série especial de reportagens sobre os maiores problemas da educação no Brasil. Nesta terça-feira (10), o repórter Alan Severiano dá um panorama do ensino fundamental, que foi ampliado de oito para nove anos. 
O Brasil do presente e o futuro do país passam pelo quarteirão do mercado financeiro de São Paulo, que movimenta bilhões de reais por dia.
Mas o que crianças da região vão ser quando crescerem? “Vai ficar que nem o pai, puxador de carroça, catador de papelão”, disse um catador. Sem endereço fixo, o pai diz que não consegue matricular os filhos.
Ana tem 8 anos, nunca foi à escola e tem uma enorme vontade de aprender a ler.
No Brasil, mais de 700 mil crianças de 6 a 14 anos ainda estão fora da escola. Apesar da ampliação do ensino fundamental de oito para nove anos, nem todos os que frequentam a sala de aula aprendem.
No 5° ano, muitos ainda não conseguem ler. O Pará é o estado em que alunos do 5° ano tiveram pior desempenho no Ideb, o indicador de qualidade do Ministério da Educação. O número combina o resultado das provas oficiais com o índice de aprovação. Na escala de 0 a 10, a média dos estudantes brasileiros do 5° ano foi 4,6 em 2009. O Pará ficou com 3,6. A meta do país é chegar a 6 em 2022.
“A maioria dos alunos está saindo do 5° anos sem saber ler. Descobrir palavras conseguem, interpretar o que lê é que está o grande problema”, destacou o professor Haroldo Gonçalves.
Os alunos percorrem grandes distâncias para chegar à escola, onde 30% dos professores não têm nível superior.
A diretora de uma escola em Breu Branco, no Pará, mostrou um freezer vazio. No dia da visita da equipe do Jornal Nacional, não tinha merenda.
Os primeiros anos do ensino fundamental são a base para toda a vida escolar. Foi nessa etapa que a educação brasileira mais avançou recentemente. Mas ainda estamos longe de atingir uma meta importante: alfabetizar todas as crianças até 8 anos.
Dos 4 aos 8 anos, a área do cérebro responsável pela linguagem está em plena atividade. Se compararmos com a rede elétrica de uma casa em construção, é a hora de fazer o máximo de conexões. Quanto mais tomadas instaladas, maior a capacidade de fazer ligações no futuro.
E a criança que não se alfabetiza no tempo certo? “Tarefas de leitura e escrita serão tarefas que exigirão sempre muito esforço dela. E possivelmente ela não venha a ter a mesma habilidade que aquela que iniciou na idade mais apropriada”, explicou a psicóloga Nadia Aparecida Bossa.
O resultado é que no Brasil só 34% dos alunos que terminam o 5º ano sabem português como deveriam. No fim do ensino fundamental, o aproveitamento é ainda pior: 26%.
A possível explicação para o problema está na porta de uma escola em São Paulo. “A gente está saindo mais cedo, todo dia. Falta de professor. Venho na escola para aprender e não para sair mais cedo”, contou Leonardo Nates, de 11 anos.
Em Maceió, o retrato do desinteresse: centenas de carteiras quebradas com menos de dois anos de uso. Do pátio à secretaria, faltam funcionários.
“Eu fico no portão, eu ajudo na merenda. A gente funciona porque a escola precisa funcionar, mas é difícil”, relatou a diretora de escola Cely Barbosa.
Em outra escola, ameaçado por bandidos, o porteiro foi embora. No lugar dele, estava um aluno. “O diretor mandou eu ficar aqui fechando o portão. Quando chegar algum aluno, abrir o portão para eles entrarem. A minha aula pelo momento não estou assistindo”, disse Leandro Ferreira de Moraes, de 17 anos.
“A gente está levando o problema para a secretaria e espero que ela resolva o mais rápido possível”, declarou o diretor Jeferson Levino.
Com nota 2,9, Alagoas ocupa o último lugar no ranking do Ideb no fim do ensino fundamental, bem abaixo da média brasileira: 4,0.
A falta de estrutura nem é o maior problema. Estamos em 2011, mas alguns alunos ainda não saíram de 2010. As aulas que começaram no ano passado só vão terminar em julho, com sete meses de atraso. Em Alagoas, o calendário também virou inimigo do ensino. Foram seis greves nos últimos quatro anos.
“O pessoal das outras escolas passando e a gente aqui ficando. É ruim”, disse Joyce Tainá, de 15 anos.
“Fico sem vontade até de estudar, já pensei até em desistir”, desabafou outro aluno.
O exemplo não vem de cima. No mural, um erro de português é o sinal da falta de cuidado com a educação.
“Em um futuro bem próximo que alunos estamos formando? Sem vontade pela leitura, sem gosto pela leitura. A culpa talvez seja nossa, a culpa é da escola, a culpa é da sociedade, quem culpar?”, questionou um professor.
A Secretaria Estadual da Educação de São Paulo disse que o problema da falta de professores é pontual. Segundo a secretaria, o que foi mostrado nesta reportagem já foi resolvido e as aulas serão repostas.
A Secretaria estadual de Educação de Alagoas informou que foi criado um calendário especial para evitar mais prejuízos aos estudantes. E que, agora, apenas um em cada dez alunos está cursando o ano letivo de 2010.
A secretaria de educação de Breu Branco, no Pará, contestou as informações dadas pela diretora da escola, de que não havia merenda no dia da visita da nossa reportagem. De acordo com a secretaria, um relatório da própria direção teria registrado os cardápios oferecidos nos três turnos naquele dia. E o freezer mostrado, que estava vazio, seria da refeição dos professores e não dos alunos.
O repórter Alan Severiano disse que, ao pedir para ver o freezer das merendas, a diretoria da escola o levou ao que foi mostrado na reportagem.
(g1.com)

'Previsão' de grande terremoto gera medo em Roma

'Sismólogo autodidata' previu forte abalo que ocorreria nesta quarta (11).
Defesa Civil recebe centenas de telefonemas de moradores apreensivos.

Da AFP
O medo toma conta de Roma desde que a "previsão" de um astrônomo e autointitulado sismólogo de um terremoto devastador em 11 de maio de 2011 na capital italiana começou a ser divulgada.
Os temores de que Roma desapareça repentinamente vítima um terremoto apocalíptico criou pânico em alguns setores da capital e também alimentou debates entre especialistas, técnicos e leigos sobre a profecia de Raffaele Bendani, que morreu aos 86 anos em 1979, baseada na posição dos planetas.
Durante meses, blogs, páginas da internet e redes sociais debatem as previsões de Bendanim, cujas teorias foram estudadas por especialistas depois que ocorreu, com poucos dias de diferença, um terremoto previsto por ele em 1923.
Vista aérea de Roma e do Vaticano em 1º de maio, dia da beatificação do Papa João Paulo II (Foto: AFP) 
Vista aérea de Roma e do Vaticano em 1º de maio, dia da beatificação do Papa João Paulo II (Foto: AFP)
A Defesa Civil tem recebido centenas de ligações pedindo informações. O governo criou um número de telefone gratuito para tranquilizar a população.
O temor é tão grande que o bairro chinês se esvaziou e calcula-se que aproximadamente 20% dos moradores não irão ao trabalho ou à escola.
Segundo a Associação de Agricultores de Coldiretti, registrou-se um aumento fora do normal nas reservas de quartos nos hotéis-fazenda fora da cidade feitas pelos romanos.
Muitas lojas, especialmente no bairro Esquilono, estão pendurando cartazes de "fechado para balanço" ou por razões de saúde familiar.
Outros tentam a sorte apostando os números principais do terremoto na loteria.
"Se morrermos, pelo menos vamos ter nos divertido", afirma em um dialeto romano o proprietário de uma casa lotérica.
O abalo sísmico na cidade de L'Aquila, a 100 km da capital, no dia 6 de abril de 2009, que deixou 308 mortos, ainda está latente na memória de Roma, de onde se sentiu alguns tremores.
Nem as declarações da Presidente da Fundação Bendandi tranquilizam os mais temerosos.
"Asseguro com total confiança que nos documentos de Bendandi não se encontra nenhuma referência ao terremoto em Roma no dia 11 de maio de 2011", afirma.
Para exorcizar o "medo coletivo", o reitor da Faculdade de Ciências da Universidade de Roma La Sapienza, organizou um seminário para o dia 11 de maio com o tema: "Esperando o terremoto, conhecee o terremoto, entender seus efeitos para se defender".

Homem se joga do edifício mais alto do mundo em Dubai

Caso foi o primeiro suicídio na torre Burj Khalifa, em Dubai.
Homem de cerca de 20 anos caiu 39 andares e parou em varanda.

Do G1, com agências internacionais
Um homem se atirou do edifício mais alto do mundo em Dubai, cometendo o primeiro suicídio da torre Burj Khalifa, informou a incorporadora do prédio nesta terça-feira.
O homem, que estaria na casa dos 20 anos e seria do sul asiático, pulou do 147º andar, a 828 metros de altura, e caiu em uma varanda do 108º andar, de acordo com os administradores do prédio.
A Emmar Propriertis disse que registrou um '"incidente envolvendo um homem" na torre Burj Khalifa às 9h locais
"As autoridades responsáveis confirmaram que foi um suicídio e nós estamos aguardando o relatório final", disse um comunicado da companhia, sem dar mais detalhes sobre o incidente.
O jornal "National" disse que o homem teria trabalhado em uma empresa do edifício de 160 andares, e que teve um pedido de férias recusado pela companhia, o que poderia ter motivado a sua atitude, segundo documentos obtidos pela polícia.
Torre Burj Khaklifa é vista nesta terça-feira (10) em Dubai (Foto: AP) 
Torre Burj Khaklifa é vista nesta terça-feira (10) em Dubai (Foto: AP)

Delfim Netto pede desculpas às empregadas domésticas

Termo usado por ele em programa de TV foi considerado pejorativo.
Frase fora do contexto distorce a ideia elaborada, disse ex-ministro.

Da Agência Estado
Antônio Delfim Netto, ex-ministro da Fazenda, em foto de arquivo (Foto: Agência Estado) 
Antônio Delfim Netto, ex-ministro da Fazenda, em
foto de arquivo (Foto: Agência Estado)
O Instituto Doméstica Legal, que representa 7,2 milhões de trabalhadores da categoria, obteve um pedido público de desculpas do ex-ministro da Fazenda Antonio Delfim Netto, registrado em cartório, pela declaração feita pelo economista na TV a respeito deste profissional. No dia 4 do mês passado, Delfim disse no programa "Canal Livre", da Rede Bandeirantes, que "quem teve este animal, teve; quem não teve nunca mais vai ter", em referência à empregada doméstica.
Delfim afirmou que "em momento algum desejou referir-se à classe das empregadas domésticas de maneira pejorativa". O economista argumentou, em seu pedido público de desculpas, registrado no 8º Cartório Tabelião de Notas da capital paulista no início deste mês, que a frase pinçada do contexto distorce a ideia elaborada.
Segundo Delfim Netto, a intenção foi mostrar que no processo de ascensão social em curso na sociedade brasileira, a figura deste profissional tende a desaparecer. "É preciso entender em que sentido foi feito o comentário", disse o ex-ministro.
Em seu pedido de desculpas, Delfim justifica o emprego do termo "animal", usado pelo economista britânico John Maynard Keynes, criado durante a Grande Depressão, para descrever as motivações psicológicas de empresários, consumidores e investidores. "Os economistas (eu, inclusive) usam corriqueiramente a expressão 'fazer nascer o espírito animal dos empresários' como forma de despertá-los para oportunidades de investimento e não me lembro de nenhum empresário que tenha se declarado ofendido ou humilhado."
No fim do pedido oficial de desculpas à categoria, Delfim Netto considera o episódio uma "tempestade num copo d'água", que ocorreu em razão do uso de uma expressão infeliz, pelo qual ele se penitencia.

domingo, maio 08, 2011

Maconha: Muita fumaça sobre o debate

(Tribuna do Norte)
Um filho pré-adolescente pergunta ao pai: “A maconha, que é uma erva natural, é ruim?”. O pai, sem acreditar no questionamento responde: “Lógico que é meu filho, faz mal à saúde. Os negros pobres fumam. Por isso, é proibida”. O garoto, insatisfeito com a resposta evasiva, retruca: “Interessante. A maconha é natural e proibida. Então, por que os sanduíches das redes de fast-food, consumidos pelos brancos ricos, que engordam e fazem muito mal à saúde não são proibidos?”. Sem resposta, o filho retorna ao quarto onde vai pesquisar sobre o tema. O pai, atônito, resmunga e questiona a si mesmo: “Em que tempos estamos?”. 
Do diálogo acima extrai-se dois pontos do vista que margeiam o debate acerca da maconha: naturalidade versus proibição. De um lado, o pai afirma que somente negros e pobres fazem uso da erva. Não leva em consideração, porém, o preconceito embutido em seu discurso. O questionador, um filho pré-adolescente, contextualiza o debate expondo que os grandes conglomerados comerciais vendem comida industrializada, que oferecem danos à saúde, e nem por isso são proibidos de lucrar.
O debate em torno deste tema é antigo e divide opiniões. O combate à droga e, consequentemente, ao consumo, foi motivada por uma questão particular. No início do século XX, mexicanos cruzavam as fronteiras dos Estados Unidos, como fazem até hoje, em busca de empregos e melhores condições de trabalho. Eles faziam uso da maconha, que servia como paliativo à proibição de rum que vinha das Bahamas. Henry Anslinger, além de combater o rum passou a criminalizar o consumo da maconha. Ele atribuía que o consumo na América era alimentado pelos imigrantes mexicanos, na maioria pobres e negros.

 Por este motivo, estudiosos do tema apontam influências históricas que distorcem o conteúdo que deveria ser amplamente discutido. São elas: social (que é a imposição da soberania branca sobre às demais etnias); religiosa (quando a Igreja Católica subjulgava as manifestações não-cristãs que fazem uso da erva nos rituais); econômicas (o ideal dos grandes grupos tabagistas é patentear o produto, se um dia for legalizado no país) e políticas (que ostentam que a visão de político correto é aquele que segue a doutrina conservadorista). Já os argumentos científicos, defendidos  pelos próprios cientistas e usuários da cannabis, são colocados em segundo plano.
Discutir o tema é mexer em feridas sociais históricas. O preconceito do pai, exposto no diálogo com o filho, reflete uma situação comum no Brasil atualmente. Imaginar que os brancos não fazem usto desta droga e não recorrem aos pequenos traficantes, é um engano.

 Apesar de ser a droga mais comercializada e consumida no mundo, segundo pesquisas do Departamento de Drogas e Crime das Nações Unidas (UNODC, sigla em inglês), a maconha está dando lugar a substâncias como o crack e, mais recentemente, ao oxy (cuja composição inclui gasolina, querosene, pasta de cocaína e cal).

  O que os usuários e pesquisadores da maconha defendem, é a regulamentação e regularização do consumo. “O sonho de qualquer usuário é cultivar sua própria maconha. Eu só compro porque não posso plantar”, afirmou um advogado que faz uso recreativo da erva. Para ele, a maconha não abre portas para novas drogas. “Isso é mito. Eu fumo maconha há 13 anos e jamais fumei crack”, garantiu.

 Uma grande empresa produtora de cigarros se adiantou ao que pode ocorrer, ou não, no Brasil e registrou a marca Marley. O nome do produto o faz lembrar algum cantor de reggae? Qualquer semelhança, neste caso, não será mera coincidência. O nome do produto foi questionado pela família do cantor.

  Enquanto alguns países se adiantaram na discussão, nenhum sinal de que a descriminalização da droga possa ocorrer no Brasil, embaça as vidraças do Congresso Nacional.

Maioria descobre a droga nos anos da universidade

 O primeiro contato com a maconha para a maioria dos usuários consultados para a composição desta reportagem, se deu no universo acadêmico, numa fase que eles consideraram ser de transições, escolhas. O novo ambiente de estudo com perspectivas diversas, oxigenou a curiosidade dos jovens, hoje adultos que culminou com no primeiro cigarro à base de cannabis sativa.

 Como consequência ou utilizando a Universidade como viés norteador da abertura para o debate, diversos estudantes se articularam e criaram um movimento nacional, a Marcha da Maconha. Em Natal, o grupo se reúne periodicamente na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). A primeira marcha ocorreu ano passado, durante a reunião da SBPC.

   Para Henrique Lopes, um dos organizadores do coletivo “Cannabis Ativa”, o discurso da sociedade em torno da maconha ainda está ligado às questões morais. “É um tema que afeta a sociedade que se prende a justificativas que não se sustentam para contribuir com o processo histórico de construção da marginalização”, defende.

  A estudante universitária Isabela Bentes afirma que droga nenhuma escolhe classe social ou etnia. Ela explica que o processo de marginalização da maconha no Brasil ocorreu junto com a umbanda e a capoeira. Tanto ela quanto Henrique acreditam que o proibicionismo só aumenta o consumo. Além disso, dizem que é preciso um processo forte de conscientização na sociedade sobre o uso e abuso de drogas. “A proibição legitima a morte, a violência”, defendem.

Entrevista: Dr. João Menezes - neurocientista e pesquisador da maconha

1. Quais são os argumentos utilizados pelo senhor para defender a legalização e regulamentação da Cannabis no Brasil?

São muitas as razões mas acho que as minhas 10 mais importantes são:

1. Não existem motivos médicos e científicos que justifiquem a proibição para o uso da cannabis por adultos;

2. As substâncias contidas na planta são muito menos perigosas e com menos potencial de causar dependência que outras drogas legalizadas e regulamentadas como tabaco, álcool, e fármacos como ansiolíticos, estimulantes e anti-depressivos apenas para citar alguns. Isto corrige uma incoerência na política de controle de substâncias de abuso;

3. Aproibição produz um mercado negro muito mais deletério que o uso da cannabis. Ou seja, a legalização acarretará na redução do impacto do mercado negro sobre a economia da nação (dinheiro circulante livre de impostos e a inflação por demanda que isto provoca), sobre a corrupção policial e sobre o sistema de saúde (sobrecarregado por causa da violência);

4. Ocontrole do uso da cannabis por menores e do abuso em geral e a possibilidade de oferecer tratamento de saúde para eventuais usos problemáticos, como dependência e síndrome amotivacional, são muito melhor realizados num ambiente de legalização e regulamentação (as pessoas afetadas não correm o risco de serem presas, não fogem das autoridades e não são marginalizadas, e ocomerciante pode ser fiscalizado);

5. Fim assimetria de tratamento entre usuários ricos e pobres e da possibilidade de discriminar negros e pobres em função do uso e posse dedrogas (mais de 60% dos presos no Rio de Janeiro por posse de drogas [2o maior motivo de prisão] são réus primários, destes 90% sem armas e 90% negros ou pardos (números aproximados tirados de memória do estudo de Boiteux et al., 2009);

6. Diminuição do financiamento do crime organizado (cannabis é de longe a droga mais consumida);

7. Geraçãode uma nova rede de atividade industrial-econômica (produção, processamento e industrias associadas como a produção de parafernália, cosméticos, têxtil, combustíveis, etc) e os benefícios que a acompanha como geração de novos empregos regulamentados diretos e indiretos, arrecadação de impostos, etc;

8. Controlede qualidade do produto, aumento da variedade de plantas por exemplo com diminuição do conteúdo de THC e aumento de canabidiol e proteção ao consumidor;

9. Maior facilidade de acesso ao potencial terapêutico do uso medicinal da cannabis;

10. Maior facilidade de realização de pesquisas básico-clínicas sobre a cannabis sativa e seus derivados.

2. Em que a maconha poderia ser utilizada para justificar a liberação?

Não entendi esta pergunta. Em parte, do que eu entendi, acho que está explicado acima. Mas é importante dizer que nada justifica a liberação, não defendo a liberação geral e ilimitada, mas a legalização e a regulamentação. A justificativa para a legalização e regulamentação é o direito à liberdade individual que seres humanos, responsáveis e imputáveis, tem de escolher sobre o que  fazer com seu corpo e assumir as responsabilidades por estas escolhas. É muito importante frisar que as pessoas que são a favor da proibição não tem um monopólio de uma posição ética e moral. Muito pelo contrário, as pessoas que defendem a legalização e regulamentação da cannabis e mesmo outras drogas, estãotão ou mais preocupados com o abuso de drogas e a saúde das pessoas do que os proibicionistas. Na verdade se existe uma posição radical, pouco ética e maliciosa é a defesa da proibição, que marginaliza, encarcera e protege pouco as pessoas e a cidadania. Quem defende a legalização é contra o abuso de drogas, e tem no consumidor de drogas e sua família o foco de atenção e cuidado. Diferente dos proibicionistas cujo o foco é apreservação a qualquer custo de um pretenso padrão moral superior, mesmo que isto custe a vida de outrem.

3. Existem grupos de risco que devem evitar o consumo? O senhor poderia detalhar o que pode acontecer com essas pessoas, além da síndrome amotivacional?

Sim,apesar do consumo de cannabis ser entre as substâncias passíveis de abuso, a de menor risco para saúde, não é de modo  nenhum livre de perigos. Não existe nada que consumimos livre de perigos, nada, e a maconha não é exceção. O abuso, especialmente o uso crônico, prolongado eem altas doses deve ser sempre evitado, mas algumas pessoas devem evitar qualquer uso. Estas são adolescentes, especialmente aqueles com propensão a esquizofrenia (definida por histórico médico e familiar) e gestantes.

4. Para a ciência, a legalização configura como uma condição sine qua non para o desenvolvimento de pesquisas específicas? Que pesquisas são essas e qual sua aplicabilidade?

Sime não. Não, em relação à pesquisa básica. Muitos experimentos já são realizados, inclusive no Brasil, sobre o sistema canabinóide. Mas a legalização certamente facilitaria em muito a realização de experimentos com a planta in natura e a obtenção de insumos. Principalmente com a produção de diferentes cepas de plantas com diferentes concentrações das substâncias de interesse médico científico, os chamados canabinóides. Certamente ajudaria na produção de novos fármacos a partir da planta.  Sim, condição “sine qua non” em relação à pesquisa médica já que  permitiria a aplicação de esquemas de tratamento em um cenário  médico-hospitalar controlado e passível de ser realizado protocolos de  pesquisa rigorosos e com controle de qualidade da substância utilizada.
Totalmente inviável no país atualmente.

5. Qual o principal impedimento no Brasil atualmente que impossibilita a legalização da cannabis?

Boa pergunta. Não sei. Se soubesse estaria atuando na retirada deste  impedimento. Um fator que acho importante é a percepção errônea da  maconha, dos seus usos e de seus efeitos. Esta percepção distorcida é  fruto de décadas de desinformação e de preconceitos. É impossível ter um
debate racional se na televisão, jornalistas e apresentadores  preconceituosos e desinformados empregam termos como “erva do capirroto” e similares. Além disto, pessoas mais bem informadas mas arraigadas no  modelo proibicionista, também propagam esta desinformação porque  acreditam que o medo tem uma função protetora. Espalham desinformação e  propagam interpretações exageradas dos perigos da maconha porque partem  do príncipio que estão protegendo as pessoas quando impedem qualquer  uso. Isto quando você considera que suas ações são apenas bem  intencionadas. Mas existe  também um enorme interesse por trás da proibição, em todos os níveis de poder. Por exemplo, o governo dos Estados Unidos, na  década de 80, financiou a guerra contra o Irã,
comprando drogas da guerrilha da Guatemala, no escândalo Irã-contras. Situação impossível se não fosse o regime defendido pelos EUA de proibição internacional de drogas. Muitos médicos psiquiatras tem interesse em manter suas rendosas clínicas de recuperação de drogados, edefendem a internação obrigatória ou por demanda  judicial o que garante uma fonte de renda estável. Sem dúvida, os grandes traficantes que tem dinheiro suficiente para comprar fatias do poder tem interesse
na manutenção da proibição. O próprio sistema de segurança pode se beneficiar da proibição pois mantém uma rica fonte de financiamento governamental, e podem mostrar alguma eficiência na prisão de usuários, que são bem mais fáceis de lidar que assaltantes de banco armados, sem contar com a potencial enorme fonte de renda advinda de atividades  de extorsão e corrupção que uma minoria do setor de segurança participa. Indústria de bebidas e cigarros também tem razões de temer a legalizaçãoda maconha pela disputa de mercado potencial. Em resumo, a mídia tem umimportante papel na difusão de informação livre de preconceitos e baseadas em fatos, que demonstram o fracasso da política proibicionista de drogas e as alternativas que existem atualmente.

6. Quais as contribuições da maconha para o desenvolvimento de medicamentos? Existem hoje no mercado remédios com o princípio ativo Cannabis?

Éenorme. Há quem diga que esta é a década da cannabis. Os produtos específicos da planta, uma família de compostos terpeno-fenois, conhecidos como canabinóides, atuam sobre um sistema de comunicação entre células do cérebro chamado de sistema endocanabinóide. Hoje em dia, sabemos que este sistema de comunicação celular é o maior e mais complexo dos sistemas de comunicação químicos do cérebro. A maconha tem por volta de 70 a 80 compostos canabinóides e muitos com potencialterapêutico, apresentando propriedades analgésicas, anti-náuseas e anti-eméticas, anti-proliferativas (para o tratamento de câncer), anti-inflamatória e apresentam compostos úteis para induzir aumento do apetite, tratar glaucoma, diminuir ansiedade, e até atuar como anti-psicóticos.

Sim, existem medicamentos à base de cannabis, mas não no Brasil. Tenho ciência de três especificamente, mas podem existir mais formulações disponíveis atualmente que não são do meu
conhecimento. Dois são formas purificadas do tetrahidrocanabinol, o THC,o mais abundante canabinóide da cannabis e o principal responsável pelos seus efeitos psicogênicos. Estas formulações são chamadas de Marinol e Dronabinol. O terceiro medicamento foi recentemente
introduzido na Europa, Canadá e Estados Unidos e é  chamado de Sativex.
Uma inteligente combinação de 1:1 de THC e canabidiol (CBD), outro canabinóide abundante na cannabis que tem alguns efeitos antagônicos ao THC. Infelizmente, o Brasil não participa desta corrente de desenvolvimento de fármacos por força de sua legislação. Por fim, o próprio uso in natura da planta, seja inalada na forma fumada ou por vaporização, ingerida sólida ou por tinturas alcoólicas, e ainda uma dasformas preferidas de medicação pelos pacientes em países que permitem o
uso medicinal da planta, como o Canadá e alguns estados dos EUA. Provavelmente porque a mistura de canabinóides em doses menores é mais tolerada pelo organismo humano do que as formas purificadas de um único composto canabinóide. Mas isto ainda deve ser objeto de estudo mais
aprofundado.

7. A descriminalização reduziria a violência?

Nãoposso afirmar, pois não sou vidente. Mas acredito fortemente que sim, reduziria a violência. Falo isto não por mera opinião  mas por constatação do resultado de diversas experiências de descriminalização ou flexibilização da legislação sobre a cannabis em diversos países. A melhor sendo a experiência de Portugal, que descriminalizou a posse de todas as substâncias de abuso, não apenas a cannabis, em 2001. Esta experiência de Portugal foi analisada em um relatório do Instituto Catho, chamado relatório de  Grenwald, e demonstra os excelentes resultados desta política sobre a segurança pública e sobre a diminuiçãodo uso de drogas mais “pesadas”, bem como o melhor atendimento de uso problemático de drogas pelo sistema de saúde. Um argumento, às vezes
levantado por proibicionistas sobre a possibilidade de descriminalização levar a um aumento da violência, é o aparente aumento da criminalidade em municípios do norte da Califórnia, onde está concentrada a maior parte da produção e distribuição de  maconha para uso medicinal nos Estados Unidos. A Califórnia regulamentou o uso da maconha medicinal desde de 1997. Realmente, alguns municípios registraram um aumento de roubos, assaltos e mesmo assassinatos desde a instituição desta legislação. No entanto, este aumento de criminalidade não esta associadoao uso da droga, mas sim ao grande aumento da renda destes municípios devido a esta nova atividade econômica, e da falta de proteção policial conferida aos produtores e aos locais de distribuição, chamados de dispensários da maconha medicinal. Quando a polícia verificou o efeito benéfico desta atividade econômica sobre estes municípios, antes muito pobres, e passou a proteger a propriedades destes agentes econômicos legalizados, o índice de criminalidade voltou a cair a níveis anteriores. Mas, obviamente o grande impacto sobre a violência gerada pelo trafico, só será obtida pela legalização e regulamentação da
produção e venda da cannabis. A cannabis sendo a substância ilícita mais utilizada no mundo inteiro, inclusive no Brasil (apesar de um baixo índice relativo de uso no país), representa a maior fonte de renda para o crime organizado. A venda da maconha financia a compra de armas e de  drogas mais perigosas e mais rentáveis por peso, como o crack e a cocaína. O impacto da maconha sobre a economia do crime pode ser constatado pela recente operação no morro do Alemão, no Rio de Janeiro, no ano passado. Nesta operação foram capturados aproximadamente 60 toneladas de maconha e apenas 500 quilos de cocaína. Esta proporção fala por si mesmo.Com a maconha legalizada, o crime organizado perderia uma fatia considerável de sua renda, provavelmente inviabilizando o comércio de outras drogas e este precisaria mudar suas atividades ilícitas, procurando atividades menos rentáveis e perigosas para o perpetuador  como assaltos a banco e congêneres. Dificilmente, o comércio ilegal seria sustentado por adolescentes, impedidos de comprar a droga em um regime de legalização, devido ao pequeno poder de compra destes indivíduos. Além disto, com o comércio legal de cannabis o usuário não seria exposto a drogas mais perigosas na hora da venda, como é comum nos pontos ilegais de vendas de entorpecentes onde cocaína, crack e outras
drogas são oferecidas junto à maconha.

8. Como neurologista, o senhor percebe efeitos colaterais provocados pela abstinência? Que efeitos são esses?

Eu não sou neurologista, apesar de ser formado em medicina, optei pela  carreira científica e talvez o melhor rótulo seria o de neurocientista.
Não lido diretamente com pacientes, mas estou em contato frequente com   médicos e psiquiatras. Apesar da lei nº 11.343 prever a notificação  obrigatória de casos de dependência de drogas, isto aparentemente ainda não está totalmente regulamentado e não existe uma fonte de informações
confiáveis em relação à procura de postos de saúde sobre queixas de uso problemático da cannabis. O relato pessoal é de que a procura é muito pequena, quase rara. Mas isto pode ser devido a uma desinformação da população de onde procurar o serviço e mais ainda do medo de ser considerado um criminoso. A dependência da maconha só foi descrita de forma consistente neste século. Esta é descrita como apresentando apenas sintomas subjetivos de  abstinência, como irritação, dificuldade para dormir, nervosismo, e vontade de usar a droga, que podem ser resumidos de forma imprecisa como dependência psicológica. Esta síndrome de dependência parece atingir uma pequena proporção de usuários. O  risco global de dependência pelo uso de cannabis foi estimada em 9% dos
usuários. Isto se você aceitar os critérios para esta classificação, eu acredito, com bases em outros estudos em um índice muito menor.
Independente da aceitação destes critérios, é importante colocar em perspectiva e comparar este índice com o risco estimado de dependência por outras drogas como para usuários de nicotina 32%, heroína 23%, álcool e cocaína 17%. Sendo que os sintomas de abstinência quando presentes são bem mais leves e de fácil manuseio quando comparado às outras drogas de abuso listadas acima. Talvez possa ser comparável à síndrome de abstinência do tabaco, mas de ocorrência menos frequente que
esta.

9. Por que o senhor defende que os males causados pela maconha são menores dos que os causados pelo álcool e tabaco? O senhor poderia nos enviar estudos comparativos?

Sim, o álcool e o tabaco são drogas muito mais perigosas do que a cannabis,  independente de sua maior acessibilidade na sociedade. Ambas as drogas  tem potencial de causar dependência muito maior que a cannabis. O álcool é responsável por diversas mortes anualmente por super intoxicação (331 mortes em 2001 por ‘overdose” nos EUA ). É praticamente impossível  morrer por overdose com o uso de cannabis, não existe registro de morte  provocada apenas pelo uso da cannabis. O potencial oncogênico do tabaco é bem maior que o da cannabis, sendo que esta última pode ser utilizada  de maneiras diferentes do que a fumada, por exemplo, ingerida ou por  meio de um vaporizador que não produz produtos tóxicos advindos da  queima. Existem diversos estudos que fazem a revisão desta comparação,  alguns apenas em inglês. Cito dois aqui para referência aos leitores e  os envio que tenho aqui comigo. O estudo de Nutt et al., publicado na prestigiosa revista médica Inglesa, Lancet, em 2007 é um excelente começo. Neste estudo, os pesquisadores fazem um esforço para subsidiar uma classificação mais racional quando a periculosidade de diferentes drogas de abuso, ilícitas ou não. O relatório encomendado pela ONU à Fundação Beckley, também é uma ótima fonte de informação atualizada e imparcial sobre a cannabis e sua conclusão final é pela legalização da cannabis e pela denúncia dos tratados internacionais relativos às drogas. Etapa necessária para poder flexibilizar a legislação em relaçãoà cannabis, para não ferir tratados internacionais dos quais o Brasil subscrevente. Por fim, existe um livro relativamente novo chamado:
“Marijuana is safer: so why are we driving people to drink”. Um disponível em português recém traduzido que é intitulado: “Maconha: Mitos e fatos” por Lynn Zimmer e John Morgan, que também aborda esta comparação.

10. Do seu ponto de vista, em quanto tempo a sociedade brasileira estará pronta, sem preconceitos embutidos, para discutir a legalização da maconha?

Nunca, sempre haverá preconceitos embutidos. A discussão sobre a legalização da maconha não deve esperar que uma lucidez desabroche espontaneamente nas pessoas após anos de desinformação. Trata-se de uma questão urgente,só para citar algumas das situações mais imediatas: muitos jovens estão atualmente desnecessariamente encarcerados, com seu futuro tolhido por causa de uma condenação por posse de drogas. Alguns estão cercados pelo crime organizado, rico e financiado, que controla sua vizinhança; existem pacientes que se beneficiariam imediatamente se pudessem ter
acesso à cannabis para diminuir seu sofrimento. Todas estas pessoas não podem esperar, seu sofrimento é real e imediato. É importante lembrar também que todo este sofrimento é justificado pela pretensa proteção de uma minoria de usuários que apresentará um problema grave de abuso de
drogas. Ou seja, mais pessoas hoje em dia sofrem por causa da proibição  do que o número de pessoas potencialmente prejudicadas pelo uso direto da droga.

11. Quais são as categorias de usuários identificadas pelo senhor durante os estudos realizados?

Desculpe, eu não posso responder esta pergunta com precisão. Acho uma pergunta relevante mas muito difícil de responder mesmo para pessoas que lidam com pacientes. Isto porque não existe um estudo sistemático que padronize a separação de pacientes em categorias universalmente aceitas.

Cadaestudo os pesquisadores decidem separar os grupos de pacientes dependendo do foco da pesquisa. Por exemplo, usuários freqüentes versus esporádicos, adolescentes com uso de múltiplas drogas ou apenas cannabis, ou cannabis e tabaco. Não conheço estudo que padronize os
tipos de usuários.

Mas existem algumas indicações de padrões de uso. A maior parte dos usuários tem entre 17 e 25 anos, com uma redução progressiva do uso por volta dos 30 anos, quando a responsabilidade familiar e a mudança de rotina devido a filhos e trabalho modifica seus hábitos. Existe uma tendência a um aumento de consumo entre pessoas acima de 50 anos nos EUA. Mas, mesmo  assim, as realidades sociais são muito distintas em nossa sociedade e certamente o padrão de uso por pessoas de classes mais  pobres tende a ser diferente, com o uso mais raro, e mais precoce e associado à outras drogas. Existe um novo estudo sobre o uso de drogas e álcool entre adolescentes de um grupo
multiinstitucional liderado pela UNIFESP.

12. Muitas pessoas entendem que a regularização e liberação são sinônimos. Como o Governo poderia trabalhar a diferenciação destes pontos?

Não acho que isto seja uma tarefa exclusiva do Governo. Todas as pessoas esclarecidas tem sua responsabilidade em divulgar e resguardar a precisão do pensamento e a clareza das soluções em relação à política racional sobre drogas. Uma papel importante tem a mídia, na escolha dos
termos a serem empregados e na escolha entre transmitir preconceitos e crenças infundadas ou transmitir fatos ou opiniões embasadas em fatos verificáveis. Mesmo podendo aparentemente significar apenas liberar o uso ou o comércio, “liberação” não é um termo técnico descritivo precisopara uma política racional sobre drogas, além disto é carregado de significados semi-pejorativos. A maioria dos que empregam este termo sãopessoas com uma convicção preconceituosa das opiniões e comportamentos alheios. Empregam o termo com a clara intenção de denegrir os objetivos de quem deseja trazer uma racionalidade a política de controle das
drogas. Nenhuma droga é liberada, talvez o açúcar branco, mas nenhuma outra é de uso livre. Todas são sujeitas à alguma restrição legal e regulamentação, seja no local de venda, na idade mínima para consumo ou de propaganda.

Legalização é um termo mais preciso, pois implica que a produção, distribuição, comércio e uso de uma substância será sujeita a uma legislação específica que implicará em uma série de
restrições e garantias mútuas. Regulamentação é um termo quase redundante em relação à legalização, já que toda lei implica em alguma regulamentação. No entanto, é útil para lembrar que diversos aspectos deum mercado legal podem ser regulamentados em diferentes níveis, seja político, federal, estadual e municipal; seja econômico, sujeito a regras do CADE, por exemplo, seja no nível de vigilância sanitária, etc.

13. O senhor acredita que o governo Dilma sinalizará positivamente para a discussão deste tema?

Sim, apesar de a própria declarar posição contrária a mudança legislativa neste momento. No entanto, muitos membros do seu partido e coligação sãopartidários da descriminalização ou mesmo da legalização e regulamentação da maconha e propõem uma revisão na Política Nacional de Drogas. A recente mudança do Senad (Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas) para o Ministério da Justiça já foi uma bom movimento nesta direção, demonstrando um distanciamento da política fracassada de “guerra às drogas” imposto pelo governo norte-americano. Embora a exoneração de seu primeiro diretor, o jovem advogado Pedro Abramovay, que defendeu publicamente a flexibilização de penas para presos por posse de pequenas quantidades de droga, primários e sem ligação com o

crime organizado, mas que foram acusados de traficantes, tenha sido um retrocesso. Além disto, a situação internacional é crescentemente favorável a uma mudança na política de drogas, em especial do fim da “guerra às drogas”, e por uma política de redução de danos. Existem diversas iniciativas importantes, listo algumas: as inúmeras legislaçõespassadas por estados americanos para permitir o uso do cannabis medicinal (mais de 15 estados atualmente) e a descriminalização da  posse e plantio da maconha em diversos países inclusive na vizinha Argentina. O importante documento, “A declaração de Viena” de 2010, formulado e divulgado na Reunião Mundial sobre Aids em Viena. Este
documento, produzido por diversas entidades  médicas e assinados por três ex-presidentes latino-americanos, Fernando Henrique Cardoso sendo um deles, exige o fim da política de guerra às drogas. Uma terceira mudança de paradigma é a constatação no relatório de 2009 do UNODC
(United Nations Office on Drugs and Crime) que a guerra às drogas teve conseqüências indesejadas como a formação e criação de um mercado negro violento e corrompedor (se é que esta palavra existe). E conclui como uma sugestão para implementação de políticas de descriminalização e fim
da repressão ao usuário.

sábado, maio 07, 2011

Como Lidar Com Stress

Em uma conferência, ao explicar para a plateia a forma de controlar o estresse, o palestrante levantou um copo com água e perguntou:

-"Qual o peso deste copo d'água? "

As respostas variaram de 250g a 700g.

O palestrante, então, disse:

- "O peso real não importa. Isso depende de por quanto tempo você segurar o copo levantado."

"Se o copo for mantido levantado durante um minuto, isso não é um problema.
Se eu o mantenho levantado por uma hora, vou acabar com dor no braço.
Mas se eu ficar segurando um dia inteiro, provavelmente eu vou ter cãibras dolorosas e vocês terão de chamar uma ambulância."

- "E isso acontece também com o estresse e a forma como controlamos o estresse.
Se você carrega a sua carga por longos períodos, ou o tempo todo, cedo ou tarde a carga vai começar a ficar incrivelmente pesada e, finalmente, você não será mais capaz de carregá-la."
"Para que o copo de água não fique pesado, você precisa colocá-lo sobre alguma coisa de vez em quando e descansar antes de pegá-lo novamente.
Com nossa carga acontece o mesmo.
Quando estamos refrescados e descansados nós podemos novamente transportar nossa carga."

Em seguida, ele distribuiu um folheto contendo algumas formas de administrar as cargas da vida, que eram:

1 *  Aceite que há dias em que você é o pombo e outros em que você é a estátua.

2 *   Mantenha sempre suas palavras leves e doces pois pode acontecer de você precisar engolir todas elas.

3 *   Só leia coisas que faça você se sentir bem e ter a aparência boa de quem está bem.
4 *  Dirija com cuidado. Não só os carros apresentam defeitos e têm recall do fabricante. 

5 *  Se não puder ser gentil, pelo menos tenha a decência de ser vago.

6 *   Se você emprestar R$ 200,00 para alguém e nunca mais vir essa pessoa, provavelmente valeu a pena pagar esse preço para se livrar dela.

7 *   Pode ser que o único propósito da sua vida seja servir de exemplo para os outros.

8 *   Nunca compre um carro que você não possa manter.

9 *   Quando você tenta pular obstáculos lembre que está com os dois pés no ar e sem nenhum apoio.

10 *   Ninguém se importa se você consegue dançar bem. Para participar e se divertir no baile, levante e dance, pronto.

11 *   Uma vez que a minhoca madrugadora é a que é devorada pelo pássaro, durma até mais tarde sempre que puder.

12 *   Lembre que é o segundo rato que come o queijo - o primeiro fica preso na ratoeira. Saiba esperar.

13 *   Lembre, também, que sempre tem queijo grátis nas ratoeiras.

14 *   Quando tudo parece estar vindo na sua direção, provavelmente você está no lado errado da estrada.

15 *  Aniversários são bons para você. Quanto mais você tem, mais tempo você vive.

16 *  Alguns erros são divertidos demais para serem cometidos só uma vez.

17 *   Podemos aprender muito com uma caixa de lápis de cor. Alguns têm pontas aguçadas, alguns têm formas bonitas e alguns são sem graça. Alguns têm nomes estranhos e todos são de cores diferentes, mas todos são lápis e precisam viver na mesma caixa.

18 *  Não perca tempo odiando alguém, remoendo ofensas e pensando em vingança. Enquanto você faz isso a pessoa está vivendo bem feliz e você é quem se sente mal e tem o gosto amargo na boca.

19 * Quanto mais alta é a montanha mais difícil é a escalada. Poucos conseguem chegar ao topo, mas são eles que admiram a paisagem do alto e fazem as fotos que você admira dizendo "queria ter estado lá".

20 *  Uma pessoa realmente feliz é aquela que segue devagar pela estrada da vida, desfrutando o cenário, parando nos pontos mais interessantes e descobrindo atalhos para lugares maravilhosos que poucos conhecem.

"Portanto, antes de voltarem para casa, depositem sua carga de trabalho/vida no chão.
Não carreguem para casa.
Vocês podem voltar a pegá-la amanhã.
Com tranquilidade."

quarta-feira, maio 04, 2011

Não opte pelo "mais ou menos"

" A gente pode morar numa casa mais ou menos, numa rua mais ou menos, numa cidade mais ou menos, e até ter um governo mais ou menos.
A gente pode dormir numa cama mais ou menos, comer um feijão mais ou menos, ter um transporte mais ou menos, e até ser obrigado a acreditar mais ou menos no futuro.
A gente pode olhar em volta e sentir que tudo está mais ou menos.
Tudo bem!
O que a gente não pode mesmo, nunca, de jeito nenhum...
é amar mais ou menos, sonhar mais ou menos, ser amigo mais ou menos, namorar mais ou menos, ter fé mais ou menos, e acreditar mais ou menos.
Senão a gente corre o risco de se tornar uma pessoa mais ou menos. " 
(Aluna do turno matutino)

Funcionário público em estágio probatório tem direito a greve SIM!


Transcrevemos na íntegra uma postagem de um site do Piauí, que versa sobre o direito de greve para funcionários em estágio probatório. Também colocamos uma postagem sobre o tema, retirada do site jusnavigandi. Leiam e tirem suas conclusões.
      
O SINDSERM visitou a Escola Municipal Mariano Alves de Carvalho (Santa Maria da Codipi) na manhã de ontem (18 de abril) para uma reunião com os professores em estágio probatório com objetivo esclarecer que eles têm direito a grevar assim como todos os outros funcionários concursados. Há a necessidade deste esclarecimento por que a SEMEC  vem ameaçando os professores recem contratados afirmando que a adesão à greve pode prejudicá-los em sua avaliação ao final do período probatório.

Na ocasião Francisco Sinésio, presidente do SINDSERM, afirmou que isto não passa de blefe da SEMEC para tentar esvaziar a greve que está prevista para iniciar no dia 28 de abril próximo, caso o prefeito Elmano Ferrer não atenda as demandas da categoria.  Sinésio apresentou aos professores acordão do STF (Clique aqui para ver acordão do STF) que garante o direito de greve inclusive aos servidores na condição no período probatório.




Sou professor da rede municipal de delmiro gouveia, os professores estão em greve e eu estou no período probatório, posso participar da greve? Existe caso de exoneração para mim?
Fábio Abrahão | Santos / SP

Resposta:
Prezados colegas, bom dia.
A questão da greve durante o curso do estágio probatório é bem controvertida, sendo alvo de muita discussão dentre os maiores juristas do país.
Na minha opinião, sendo o direito à greve assegurado pela Constituição Federal, não podendo ser punido e, inclusive, sendo pagas aos grevistas suas horas de trabalho como se trabalhadas tivessem sido, vejo que o funcionário público em estágio probatório tem sim direito a aderir às citadas greves e, em caso de exoneração por parte do Poder Público, caberia ação de anulação de tal ato.
Entretanto, sob outro prisma, vejo que o concurso público é cada vez mais disputado, e hoje é um privilégio ao cidadão estar em estágio probatório, o que significa que a cada dia que passa está um dia mais perto da tão sonhada estabilidade.
Assim sendo, apesar de concordar com o direito a greve mesmo nesses casos, minha recomendação é de evitar o envolvimento nesse tipo de ações, para evitar maiores complicações. Ainda que a exoneração possa ser revogada por ação anulatória, os prejuízos causados até lá não o serão.

Plano de Cargos e Salários da Educação pode ser revisto

A secretaria estadual de Educação Betânia Ramalho terá um encontro hoje, em Brasília, com o ministro da Educação, Fernando Haddad. Serão discutidas formas de se garantir mais recursos para a educação e o cumprimento do que foi aprovado no Plano de Cargos, Carreiras e Salários dos servidores estaduais em educação.

emanuel amaralBetânia Ramalho reafirma que professores precisam participar das discussões sobre melhorias salariaisBetânia Ramalho reafirma que professores precisam participar das discussões sobre melhorias salariais
O prazo de 120 dias proposto pelo Governo para uma ampla discussão com os professores sobre a aplicação do Plano não foi aceito pela direção do Sinte. A categoria entrou em greve na última segunda-feira. De acordo com Betânia Ramalho, é este o principal impasse na discussão do tema atualmente.

“Nós queremos discutir todos os pontos (do Plano) com os professores e, se for necessário, até mudar alguns. Mas para isto, é preciso que eles estejam em sala de aula”, afirmou a secretária. Ela descreve como “radical” o  movimento grevista liderado pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sinte RN).

A categoria devolve a crítica na mesma moeda é acusa a atitude do governo - em relação aos atrasos nos pagamentos das primeiras parcelas do Plano de Cargos, Carreiras e Salários - como “omissão”.

O Governo alega que, sem um estudo do impacto financeiro, não será possível honrar as promessas da gestão anterior.  Enquanto isso, a greve cresce e cada vez mais escolas aderem ao movimento em todo o Rio Grande do Norte.

 O Plano foi aprovado em 2005, mas até hoje ainda não foi totalmente implantado. Segundo a secretária estadual de Educação, a aprovação ocorreu, porém, sem um estudo do impacto financeiro que as promoções salariais poderiam trazer à máquina estadual. A mesma situação ocorre em nível nacional. O Governo Lula aprovou o salário mínimo dos professores em R$ 890 mas não fez um levantamento de quantos milhões seriam necessários para honrar o pagamento dos vencimentos. Como consequência, os movimentos grevistas se espalharam. No Nordeste, além do Rio Grande do Norte, os professores da Paraíba e Alagoas cruzaram os braços.  “Existia uma pré-disposição e a categoria esperou propostas positivas do Estado. Nas audiências eram sempre respostas evasivas”, afirmou a diretora jurídica do Sinte, Vera Messias.

A liberação de algumas questões represadas como as promoções vertical e horizontal, além do abono de permanência e publicação de aposentadorias no Diário Oficial, são fatores que contribuíram para que a classe optasse pela greve. Vera Messias ressaltou a revolta da categoria pois o Governo estaria negando o cumprimento de direitos adquiridos.  “Esta é uma posição muito fácil para quem costuma fazer greve. Nós queremos negociar com os professores em sala de aula. Esta atitude não é justa”, advertiu Betânia Ramalho referindo-se ao movimento grevista.

 Sobre o comentário a respeito da omissão do Governo em honrar os pagamentos, diante do aumento da arrecadação registrado nos últimos meses, Betânia rebateu. “O problema é que eles acham que são especialistas neste assunto. O Estado não é só educação. A saúde está comprometida e só o governo pode responder isso”.

  Enquanto Governo e Sindicato não conjugam o verbo “dialogar”, milhares de alunos estão prejudicados. A fragilidade do ensino público aliada a uma greve faz com que estudantes concluintes dos ensinos fundamental e médio, que anseiam por uma vaga no IFRN e na UFRN, por exemplo, tenham que agir como autodidatas para conseguira aprovação no vestibular.

 Para os professores, a resolução do problema é simples. “O que nós estamos requerendo é o nível de reajuste que os demais servidores têm. Nós queremos que o Estado pague o que deve. O governo diz que não tem dinheiro e a arrecadação aumenta a cada dia”, defendeu Vera Messias. Ela garantiu que  os professores estão dispostos a uma negociação urgente para retomar as aulas.

Greve - O que os professores querem imediatamente

Em janeiro, mês do pagamento da primeira parcela de 30% do Plano de Cargos, Carreiras e Salários cerca de 3 mil servidores não receberam o repasse. Os grevistas querem que o Governo efetue o pagamento deste pessoal.

Em março, período no qual deveria ter sido paga a segunda parcela de 30%, o crédito nas contas dos servidores não foi detectado. Ou seja, está atrasado.

Para junho, mês no qual está previsto o pagamento de 40%, os professores querem a garantia de que receberão o montante.

Segundo Vera Messias, o cumprimento destes pontos pelo Governo Estadual poderia reconduzir os professores às salas de aula.

Hoje, RN não consegue nem pagar o Piso

Betânia Ramalho afirmou que o piso salarial proposto pelo Governo Federal para os professores, é apenas o primeiro passo para a busca de melhores remunerações para a classe. Ela ressaltou, porém, que o Estado está preso à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e qualquer alteração salarial, neste momento, está impedida. De acordo com a secretária, o aumento na arrecadação não significa mais dinheiro disponível para a Educação.

 Betânia Ramalho ressaltou que somente com diálogo é possível se chegar a uma decisão equilibrada para o Governo e para os professores. Diante da atual situação, Betânia não soube informar até quando a greve prosseguirá. Ela acredita que o setor jurídico estadual irá intervir no assunto.

  A implantação do Plano de Cargos, Carreiras e Salários do servidores estaduais será realizada somente quando as dúvidas em relação ao aporte financeiro necessário para o cumprimento do Plano, forem dirimidas. Sobre o movimento grevista, a secretária comentou que os professores estão cometendo os mesmos erros do passado. “Nós não queremos prometer e não cumprir”, garantiu.

  O secretário estadual da Fazenda, Planejamento e Finanças, Obery Rodrigues, foi procurado pela TN para comentar sobre o aumento na arrecadação, mas não atendeu às tentativas de contato telefônico nem retornou as ligações.